O Linux dominará o mercado doméstico em, no máximo, dois anos. Quem garante é John ‘Maddog’ Hall, diretor executivo da Linux International, entidade que trabalha para desenvolver e divulgar o sistema no mundo.
Segundo Maddog, que esteve semana passada no Recife participando do II Fórum Pernambucano de Linux, o Pingüim está a um passo de cair nas graças do usuário doméstico. Ou melhor, a dois. “Faltam aplicativos de entretenimemto, como jogos e coisas do gênero”, afirma. Mas isso já está sendo providenciado pela comunidade, assegura.
O segundo obstáculo, no entanto, deverá ser mais difícil de transpor. Qual é? O preconceito. “Esse é, hoje, o principal inimigo do Linux. A Microsoft vem em segundo lugar”, afirma. Maddog lamenta o comportamento de grande parte dos usuários que, segundo ele, não procura conhecer o Linux e termina se prendendo a determinados fabricantes de software. Isso também deverá mudar em breve, aposta o executivo. Pelo menos foi isso que a comunidade traçou como um de seus principais objetivos para os próximos anos.
Se eles irão atingir essa meta, só esperando para ver. Mas que o mercado já começou a mudar, isso ninguém pode negar. Até a Microsoft já deu mostras disso. Uma delas é o projeto Shared Source, que permitirá a abertura do código do Windows para parceiros da empresa e 100 universidades consideradas centros de excelência em pesquisa dos Estados Unidos e mais 12 países, inclusive o Brasil. O que a comunidade Linux acha do projeto? “Ou o código de um produto é 100% aberto ou 100% fechado”, alfineta Maddog.
Segundo ele, não há nada que possa a impedir o avanço do Linux. “O sistema superou a taxa de crescimento de todos os concorrentes nos últimos anos”, afirma. Ele garante que o Pingüim está empatado com o Windows NT na área de servidores e já domina o mercado de sistemas embutidos. “E, se deixarmos de considerar as licenças pré-instaladas em hardwares, já vendemos mais que a Microsoft”. Segundo Maddog, são os usuários quem saem ganhando com essa competição. “Quanto mais opções de programas e sistemas o mundo tiver, melhor”, afirma.
O fórum trouxe ainda outras personalidades da comunidade Linux brasileira à cidade, como Cesar Brod e Franklin Carvalho. Um dos principais eixos da discussão foi a utilização do sistema pelo setor público, um dos maiores consumidores de soluções free atualmente no País. (B.C.)