“Osama bin Laden se encontra sob proteção do Emirado Islâmico do Afeganistão e somente dirigentes de segurança sabem onde ele se encontra", declarou o embaixador Abdul Salam Zaeef
ISLAMABAD – Sob ameaça de ataques militares norte-americanos, o regime do Taleban admitiu explicitamente ontem que mantém escondido e sob proteção o saudita Osama bin Laden, apontado como mentor dos atentados terroristas de 11 de setembro contra Nova Iorque e Washington, que deixaram mais de seis mil mortos, e não tem nenhuma intenção de entregá-lo.
“Bin Laden está em lugar seguro e sob forte proteção em nosso país”, disse o embaixador do Afeganistão no Paquistão, Abdul Salam Zaeef. “Não temos nenhum motivo para acreditar nas palavras de um representante desse regime”, reagiu em Washington o secretário da Defesa norte-americano, Donald H. Rumsfeld.
“Há apenas alguns dias, os talebans afirmavam que ignoravam completamente o paradeiro dele (Bin Laden)”, acrescentou o chefe do Pentágono, reiterando que o objetivo dos Estados Unidos é desintegrar e liquidar a Al-Qaeda, organização terrorista de Bin Laden, em todo o mundo.
“Se o Afeganistão não entregar Bin Laden, vai se converter num obstáculo a ser removido”, voltou a advertir em Londres o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, referindo-se aos planos de retaliação militar.
Por sua vez, o presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, disse à CNN que “nenhuma prova do envolvimento de afegãos nos atentados foi compartilhada conosco até o momento”. Ele reiterou o apoio aos norte-americanos na luta contra o terrorismo. Mas insistiu em que seu país não vai integrar nenhuma força militar contra o Afeganistão.
Ele procurou desfazer os temores de que extremistas afegãos possam invadir arsenais paquistaneses para roubar armas nucleares. “Não existem terroristas afegãos no Paquistão, mas de qualquer forma, nossas instalações nucleares têm uma estrutura de comando e controle muito segura.” Segundo o jornal britânico The Observer, o ataque contra as bases de Bin Laden será desencadeado em 24 horas (a partir de hoje).