Pressão dos EUA, que têm interesse em levar os países muçulmanos para a coalizão contra o terrorismo lançada depois dos atentados em Nova Iorque, não tem conseguido frear a violência entre israelenses e palestinos
Escalada de violência
deixa mais três mortosGREG MYRE
AE/Associated Press
JERUSALÉM – Em meio ao prosseguimento de uma frágil e conturbada trégua, soldados israelenses assassinaram três palestinos, ontem, na Cisjordânia. As mortes elevam a 18 o número de vítimas desde que os dois lados prometeram, na semana passada, formalizar um cessar-fogo.
Nenhum israelense foi assassinado desde que a promessa de cessar-fogo foi feita na quarta-feira. Porém, Israel alega que seus soldados foram obrigados a lidar com dezenas de ataques nos últimos dias, quando os palestinos saíram às ruas para protestar devido ao aniversário de um ano do atual levante.
“Infelizmente, a Autoridade Palestina não conteve a violência”, diz Tzipi Livni, ministro de gabinete de Israel.
O Estado judeu alega que os palestinos tinham dois dias para implementar sua parte do cessar-fogo ou a mais recente trégua fracassaria, como aconteceu com as tentativas anteriores realizadas durante o primeiro ano do conflito.
Os palestinos, por sua vez, afirmam que o grande número de mortos em seu lado é resultado do uso excessivo da força pelos soldados israelenses. “Não acreditamos que um cessar-fogo possa ser mantido sob tais circunstâncias, nas quais os soldados israelenses obviamente têm ordem de atirar para matar quando quiserem”, acusa o ministro palestino da Informação, Yasser Abed Rabbo.
Em meio às atuais divergências, o ministro israelense das Relações Exteriores, Shimon Peres, reuniu-se com o funcionário palestino Ahmed Qureia ontem para conversar sobre o cessar-fogo.
Também ontem, o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, viajou ao Cairo para reunir-se com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e depois seguiu rumo à Jordânia para encontrar o rei Abdullah II.
No Egito, Arafat garantiu que não parará de manter encontros políticos com os israelenses, apesar da contínua agressão israelense.
Em obediência ao acordo entre israelenses e palestinos fechado na quarta-feira, ambos os lados devem implementar até terça-feira algumas medidas para reduzir a tensão. Ontem, ambos os lados deram alguns sinais de ação.
Os israelenses levantaram parcialmente um bloqueio militar em torno de Jericó, na Cisjordânia, uma área onde a tranqüilidade persistiu durante a maior parte do tempo. Israel também reabriu a passagem de fronteira entre o Egito e o sul da Faixa de Gaza.
Em um episódio incomum, a polícia palestina em Gaza utilizou gás lacrimogêneo para dispersar jovens que seguiam para um confronto com soldados israelenses em um posto de fronteira.
Desde o início do atual conflito, as forças palestinas de segurança raramente intervieram para evitar que jovens se manifestassem na frente de soldados israelenses.
O motorista de táxi Asmi Asm contou que, na madrugada de ontem, ele e outros taxistas levavam operários que moram em Tulkarem, nas proximidades da divisa com Israel. Os operários pretendiam se unir aos milhares de palestinos que evitam os bloqueios e entram ilegalmente em Israel para conseguir trabalhar.
Asm comentou que no meio do caminho, perto de Silat e-Dhar, o comboio viu-se perante uma pilha de pedras impedindo a passagem. Quando alguns passageiros começavam a retirá-las para abrir caminho, soldados israelenses escondidos em oliveiras próximas abriram fogo, mataram duas pessoas e feriram seis.