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SOLIDARIEDADE II
Serviço secreto já atua no País

ROBERTO GODOY
Agência Estado

SÃO PAULO – Nada mais será como antes de 11 de setembro de 2001, o dia dos ataques nos Estados Unidos, para as estruturas de defesa nacional e segurança interna do Brasil. O primeiro efeito atingiu as pessoas que embarcam em vôos internacionais.

A apresentação nos aeroportos passou a ser feita com três horas de antecedência. Bagagens e passaportes agora são cuidadosamente examinados.

Mas não é só. “O Brasil é grande demais, importante demais e não conseguirá ficar de fora da parte suja da luta contra o terrorismo internacional”, acredita o cientista social Evandro Maüer, do Centro de Altos Estudos de Buenos Aires.

“O envolvimento que o Governo brasileiro insiste em descaracterizar começou no momento em que o Governo Federal autorizou a instalação de um escritório do Serviço Secreto (SS) norte-americano em São Paulo”, diz Maüer.

Essa unidade do SS terá a missão de coletar informação avançada sobre a eventual movimentação de organizações radicais no Brasil. “Só por conta dessa concessão, o País passa a ser um parceiro dos norte-americanos na guerra contra o terrorismo internacional”, afirma.

“O envio de pessoal para o teatro de operações será tratado pelo Palácio do Planalto. O Brasil manterá a política de participar de forças de manutenção, mas não de imposição da paz. Talvez não seja tão simples.”

Os EUA consideram a possibilidade de pedir apoio armado a 57 nações de todo o mundo para dar à guerra antiterror a dimensão planetária anunciada pelo presidente Bush.

Nesse caso, é pouco provável que a Brigada Pára-Quedista e o 1º Batalhão de Forças Especiais – tropas bem qualificadas e de alto rendimento – não venham a ser mobilizadas para cumprir missões de comando, busca, localização e ataque a alvos estratégicos.

Os cenários em estudo no Ministério da Defesa contemplam também a possibilidade de haver um crescimento da tensão nos 1.600 quilômetros de fronteira com a Colômbia como conseqüência da ação oportunista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, guerrilha marxista que controla 40% do país, mantém um exército estimado entre 15 mil e 25 mil combatentes e apóia organizações terroristas como o IRA, irlandês.

De acordo com um coronel da infantaria brasileira de selva, será necessário antecipar preventivamente o aparato previsto para a região a partir do Sistema de Vigilância da Amazônia; e, em termos ideais, deslocar uma brigada completa para reforçar a presença dissuasiva na linha de fronteira.

A médio prazo, pelo menos um setor produtivo do País, a indústria de equipamentos de defesa, poderá obter resultados positivos decorrentes da crise. “O clima de insegurança vai determinar uma corrida aos programas de renovação dos arsenais”, sustenta o analista britânico Emerich Nolan. A líder do ramo é a Avibrás Aeroespacial, de São José dos Campos, que produz um bem-sucedido sistema lançador de foguetes de saturação, o Astros II, com alcance entre nove e 90 quilômetros.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.10.2001
Segunda-feira