LG_jc.gif (3670 bytes)


Dois Toques
Lula Carlos

Gol de Ogum

Quando as coisas não vão bem, o jeito é apelar pra tudo, até para aquilo que a gente não acredita. Isso, com certeza, aconteceu no Sport. De repente, apareceu um pai-de-santo benzendo tudo na Ilha. Um ritual cheio de linda coreografia. Não faltou quem acompanhasse os passos e a rezadeira do babalorixá.

Ele benzeu o gramado, as barras, o vestiário, e jurou expulsar os maus espíritos que andavam infernizando o clube rubro-negro. O espetáculo só não foi completo porque faltou a oferenda a Exu. O pai-de-santo entendeu e nada reclamou. O Sport ainda não pagou a conta da quitanda. Não sei quem contratou o tal pai-de-santo. O meu informante desconfia de Antônio de Pádua, novo assessor de imprensa do Sport. Ele nega, e diz que só hoje assume as suas funções no clube. Mas não desaprovou a idéia: – se eu soubesse, teria trazido um pai-de-santo de Carpina. Lá, o pessoal é bom nisso.

Feito o serviço, as atenções estavam todas voltadas para o jogo com o São Paulo. E não é que deu certo! Como verdadeiros orixás, os jogadores leoninos tomaram conta do terreiro e derrotaram o time são-paulino. O gol não foi de Fabinho, foi de Ogum. Sem culpa de nada. Mauro Fernandes deixou a Ilha com fama de macumbeiro. O Santa começou e não terminou o jogo com o Grêmio. Foi jogar futebol e não pólo-aquático. A chuva foi mais forte e desta vez o Santa não deu n’água. O Náutico deu, perdeu do América. E Túlio está chegando, com um contrato de risco. Risco maior corre o Sport. O Último gol que ele fez, e eu vi, foi de mão, na Argentina.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 01.10.2001
Segunda-feira