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ECOTURISMO
Descobrindo os manguezais

Passeios de barco do Pólo Náutico Cabo de Santo Agostinho por mangues e estuários revelam a beleza escondida no litoral sul do Estado

por JÚLIA NOGUEIRA

Apesar da devastação e exploração causada pela falta de planejamento e conscientização, o litoral pernambucano ainda esconde recantos de beleza única. O Cabo de Santo Agostinho, por exemplo, é recortado por ilhotas, bancos de areia e manguezais e, mesmo com a proximidade, muita gente não conhece o que está a poucos quilômetros do Recife.

Uma das opções para quem quer conhecer mais a região é o Mangue Safári, um passeio recém-lançado pelo Pólo Náutico Cabo de Santo Agostinho, que valoriza o mangue. “As pessoas começaram a pedir um passeio com menos tempo de duração, foi então que criamos o Mangue Safári”, explica o proprietário Wilson Campos Júnior.

Criado no início deste mês, o passeio custa R$ 20 por pessoa e tem duração de uma hora e meia, com o barco saindo do Porto Verde, dando a volta na ilha das Cobras e retornando ao ponto de partida. Mas há outras opções para os aventureiros.

O primeiro passeio criado foi o Day use Porto Verde. Com duração de quatro horas e meia, o pacote (que sai por R$ 50 por pessoa, sem direito a bebidas alcoólicas) inclui visitas de catamarã a todas as ilhotas e bancos de areia, com almoço e sobremesa já incluídos. Quem vai de barco na ida pode voltar um trecho a pé ou de buggy, e vice-versa. ”Assim, todos podem aproveitar as várias opções oferecidas”, diz Campos.

ECOTURISMO – Aproveitando o filão do turismo ecológico, o empresário Wilson Campos Júnior investiu na criação do Pólo Náutico Cabo de Santo Agostinho, um complexo de turismo, lazer e esportes náuticos. O empreendimento surgiu em 1999 (funcionando em sistema pré-operacional) e começou a operar oficialmente em setembro do ano passado. Lá, o visitante poderá usufruir de serviços de marina, passeios de barco e catamarã e percorrer trilhas ecológicas por dentro dos manguezais, tudo orientado por professores e guias especializados.

O roteiro dos passeios também inclui visitas a pontos históricos da região, como a Igreja e a Vila de Nazaré e o Forte Castelo do Mar (construção portuguesa erguida na ponta do Cabo de Santo Agostinho), além da praia de Calhetas e às ilhotas vizinhas, como a Ilha das Cobras, Barreiros, Tatuoca e Cocaia.

O pólo náutico está dividido em três pontos de apoio: o Porto Verde, que é a base principal, onde também está localizado o Parque Natural Porto Verde - um jardim com diversas espécies da flora nativa, uma piscina e um dos três restaurantes do complexo, no qual os visitantes podem saborear um cardápio à base de peixes, crustáceos e frutas regionais, enquanto aguardam a chegada dos barcos; o Porto Massangana, que abriga uma marina com três catamarãs e outras 20 embarcações entre lanchas e barcos motorizados; e o Porto Paraíso, um ponto de apoio instalado na Praia de mesmo nome. Para garantir a operação do complexo, a empresa tem 40 funcionários contratados responsáveis pela manutenção, além dos terceirizados.

PÚBLICO - Além dos turistas locais e dos que utilizam os serviços da marina, o polo náutico recebe grupos de terceira idade e também abre espaço para festas, confraternizações e até casamentos. Grupos estrangeiros são os mais freqüentes principalmente os formados por turistas portugueses e italianos. A ordem é adequar tudo ao gosto do freguês. “Nossa cozinha é regional, mas se o cliente quer churrasco ou bacalhau, nós providenciamos”, diz Campos.

A equipe também se preocupa em incluir no menu elementos da cultura de cada país para agradar aos visitantes. “Os portugueses adoram pão e manteiga, já os italianos preferem as frutas tropicais. São itens que não podem faltar”, encerra o empresário. Shows e apresentações culturais também fazem parte das atrações do Pólo. Grupos de repentistas e cantores como Aldemar Paiva e Alexandre Marroquim também são atração do local.

De acordo com Wilson Campos, o empreendimento está em sua primeira fase e a idéia é expandir os negócios e parcerias. A curto prazo, o empresário pretende abrir novos portos, ampliar os serviços terrestres e investir no turismo escolar, levando grupos de crianças para ter aulas sobre o ecossistema da região.

Entre os planos para ampliação do complexo está a criação de uma legislação própria para o local, com o objetivo de preservar o estuário e iniciar a construção de alojamentos.

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Jornal do Commercio
Recife - 27.09.2001
Quinta-feira