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LITORAL ITALIANO II
O mar desenha toda a paisagem

O cenário maravilhoso da costa amalfitana possui a maior parte de sua vida e casario debruçados sobre as montanhas, com balcões voltados para o Mediterrâneo

O roteiro pode começar por Positano. Ela é como uma cortina que se abre para o cenário maravilhoso da costa amalfitana. É uma espécie de cidade vertical com a maior parte de sua vida e edificações debruçadas sobre as montanhas, com balcões voltados para o mar.

Segundo a tradição religiosa, um quadro da Virgem Maria estava sendo transportado numa embarcação em dia de mar em fúria. Em frente à praia, os marinheiros perceberam uma voz que repetia:“Posa...Posa”, que significa posa-me em terra. Eles desembarcaram e puseram o quadro sobre a praia.

Lendas à parte, o nome deriva de Posidii, libertos romanos. Positano foi uma colônia romana e um famoso lugar de férias, posição que ainda hoje mantém, depois do período de decadência no século 18. Positano disputa com a cidade de Amalfi, mais especificamente, com a vila de Ravelo, a primazia do turismo italiano, atraindo europeus durante todo o verão (de dezembro a março não é recomendável). Na realidade, Positano foi “descoberta” nos primeiros anos do século passado pelos alemães e, sobretudo, pelos ingleses e americanos quando estava numa fase praticamente despovoada. E foi justamente nesse período que começaram a nascer pequenas empresas familiares que deram origem à famosa “moda de Positano”, que se espalhou em suas ruas que mais parecem corredores.

Mas há um detalhe importante que completa a vida desse lugar: seu tesouro artístico e arqueológico, a partir dos restos de uma antiga vila romana e as torres de defesa construídas pelo vice-rei da Espanha, no século 16, Pedro de Toledo. Sem esquecer a Catedral de Santa Maria da Assunção reconstruída em 1700 e que conserva uma imagem bizantina denominada de a Virgem Negra.

Para desfrutar de sua paisagem numa noite de lua recomenda-se o balcão de pequenos hotéis construídos em vários planos nas montanhas. Durante o dia há bastante movimento em praias como a de Fornillo, Praia Grande, Ponta e Arienzo. Recomenda-se um passeio à gruta de Porta, ao povoado de Nocelle. Subir o Monte Comune, com 900 metros de altura, não é tarefa difícil e o panorama é incrivelmente gratificante.

Saindo de Positano deve-se parar em Praiano, um pouco mais recuada da costa e também encantadora. E, depois, que tal conhecer Furore, tão famosa pela qualidade de suas uvas? A paisagem lembra um pedaço da Noruega com seus fiordes que desembocam numa minúscula praia de areias brancas e deserta. O cenário de beleza continua. Vem, em seguida, Conca dei Marini, um povoado com suas casas sobre as rochas que as ondas vêm beijar. O mar aí é uma mistura de azul e verde enfrentado pelas embarcações de pesca. Mas, ninguém de bom senso pode deixar de conhecer a Gruta Esmeralda, a oeste da Baía de Conca e que se pode alcançar também pela rodovia nacional. A descida é por um elevador. Sob suas águas refletidas pela luz que penetra por uma minúscula passagem foi colocado um presépio em cerâmica. Passeio imperdível.

A chegada à cidade de Amalfi sem dúvida alguma alegra o coração do visitante. Trata-se da primeira das quadras repúblicanas marinhas que alternativamente dominaram o Mediterrâneo, comercial e militarmente, até o descobrimento da América por Critovão Colombo, em 1492. Sua história remonta aos árabes e sarracenos. A cidade tem um bom comércio, sugestivas joalharias onde se pode adquirir algumas peças em ouro com coral ou turquesa, por um preço razoável. O designer Marco Sparano tem família no Brasil (Minas Gerais), de onde recebe pedras preciosas para as criações exclusivas da sua Gioielleria S. Andrea, na Piazza Duomo. Há aí, também, bons restaurantes, como a Pizzaria da Maria, uma italiana gorda e simpática que oferece uma variedade de pratos típicos.

Mas o destaque da cidade é, por certo, a Catedral Duomo, a segunda em importância depois da de Milão, com uma riqueza de vitrais, colunas, uma construção iniciada no século 9, cuja fachada foi reconstruída em 1861. A catedral é marcada pelos estilos e influências mais diversos. De estrutura românica com sobreposição de elementos bizantinos. Notáveis são os seus afrescos que narram a vida de Cristo e os desenhos de Domenico Morelli. Para conhecê-la bem é preciso dispor de tempo, inclusive para ter acesso ao seu museu tesouros sacros. Numa manhã de domingo é comovente ouvir o coral infantil cantando durante a missa.

Mas o imenso mosaico em cores não termina aí. Ele se estende a povoados e vilas como Rufolo (um vilarejo da cidade de Ravello), onde, no verão, é possível desfrutar de concertos ao ar livre em seus jardins encantadores e cujo teatro está sendo reconstruído graças ao projeto que recebeu de presente do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer. Vale a pena enveredar por esses velhos caminhos sempre renovados. (A.Q.)

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Jornal do Commercio
Recife - 27.09.2001
Quinta-feira