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LITORAL ITALIANO III
Uma região bela e surpreendente

A Ligúria confirma o dito popular de que tamanho não é documento. Essa região é uma das menores da Itália, espremida entre uma cadeia de montanhas e as águas do Golfo de Tigullio, formando o que os italianos chamam de um “arco costeiro” de beleza inacreditável. Sua história se mistura à vida de seus primeiros habitantes voltada para o mar em rotas pesqueiras que datam de seis séculos antes de Cristo. Mas, o pique de seu desenvolvimento é recente, quando sua economia foi enriquecida pelo incremento do turismo.

Antes de chegar à costa não custa dar uma caminhada pelas ruas da cidade de Gênova, terra do navegador Cristovão Colombo, descobridor da América. Conhecer o movimento de seu porto e monumentos como o Museu de Santo Agostinho, a Catedral de São Lourenço, com fachada do século 12, a Igreja de São Donato em estilo romano, os Palácios Real e Ducal, a casa onde nasceu Colombo, a Praça da Vitória com seus passeios com passagem em forma de arco, entre tantos.

Depois, é pegar o carro para conhecer Quarto, de onde partiu de seu pequeno porto Garibaldi, em maio de 1860, em expedição à Sicília. Nervi também faz parte da Grande Gênova, conhecida pelos seus 120 hectares de verde, que abrigam a Vila Gropalo onde se realiza todo ano, em julho, o Festival Internacional de Balé.

O fio condutor de beleza se estende por Recco, que foi parcialmente destruída na 2ª Guerra Mundial, Camogli, tida como o mais característico burgo marítimo da Ligúria, situado na parte ocidental do Promontório de Portofino, une o antigo e o novo. Convém visitar seu museu, o aquário, a Igreja da Assunção, do século 11. Em maio, é temporada de pesca. No primeiro domingo de maio ocorre a procissão marítima de Stella Maris (Estrela do Mar) e no segundo, os turistas refestelam-se em seu pequeno porto comendo peixe frito.

São Frutuoso é conhecida como uma das baías mais bonitas do mundo, alcançada a pé por uma região escarposa ou de barco, para conhecer o monastério beneditino do mesmo nome. Mas o manjar dos deuses é mesmo Portofino, às margens de uma pequena baía, e um dos lugares mais agradáveis da Itália. Os turistas chegam de ônibus ou barcos, que na alta temporada saem de 15 em 15 minutos. A infra-estrutura é completa em seu casario antigo. Em cada porta um restaurante, lojas de artesanato, joalherias e, sobretudo, o alto astral que se estende pelo pequeno cais.

Nessa região costeira da Ligúria tudo é belo, porém o destaque pode ser dado a Santa Margherita da Ligúria. A cidade possui uma completa infra-estrutura para o turismo, com redes de hotéis de diferentes categorias, bares, restaurantes, comércio intenso, gastronomia variada, com destaque para o risoto de frutos do mar, monumentos como a Igreja dos Capuchinhos, do século 17, e a Basílica de Santa Margarida, da mesma época, além da feira de antiguidades nos fins de semana e uma movimentada vida noturna.

Depois de cruzar San Michele de Pragana descobre-se Rapallo, considerada como o maior centro de turismo da Riviera de Levante, conhecido por seu turísmo esportivo, a partir de um campo de golfe de 18 buracos, e de seu centro histórico medieval. Sem esquecer seu comércio, com ruas movimentadas, joalherias elegantes, sapatarias e lojas de confecção. No verão, a vida noturna é intensa à beira-mar.

Mas nesse tabuleiro de beleza há um ponto que está na moda denominado Le Cinque Terre (As Cinco Terras). São cinco vilas que brincam à beira do abismo, na Punta del Mesco: Monterosso, Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore.

O Parque Nacional de Cinque Terre é o mais representativo, o mais típico, da Ligúria. Por ser uma região isolada, conservou a pureza de suas linhas arquitetônicas.

Os visitantes deixam os carros nas montanhas, seguem a indicação das setas até a parada dos ônibus de turismo que deixam próximo à primeira vila, a de Monterosso.

O melhor é caminhar pelas ruas estreitas, sentar-se nos restaurantes ou bares e conhecer a Igreja de São João Batista. Pode-se escolher entre continuar o passeio de barco ou de trem por um caminho que corta a montanha e parar em qualquer uma das vilas. Um passeio inesquecível. (A.Q.)

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Jornal do Commercio
Recife - 27.09.2001
Quinta-feira