LG_jc.gif (3670 bytes)

AVIAÇÃO
Segurança reforçada para quem vai embarcar

Uma lista de objetos proibidos, antes tolerados, foi posta em vigor. Nem suvenires escaparam do controle aeroportuário. Cães farejadores e detector de metais tornaram-se elementos obrigatórios

por BRUNO ALBERTIM

Voar não é mais a mesma coisa. Desde 11 de setembro, data que ‘inaugurou o Século 21’ no mundo, quem precisa pegar aviões no Brasil não consegue fazer de conta que a crise não chegou por aqui. Nos aeroportos, mais de uma semana após os atos terroristas nos Estados Unidos, deve-se continuar por muito tempo respirando um clima que se instalou com a queda do World Trade Center (WTC). Em meio às mudanças, algumas imperceptíveis, os passageiros estão se acostumando à nova rotina gerada pelas tensões militares. Semana passada, mais de 900 objetos foram apreendidos de quem tentou embarcar no Aeroporto Internacional Guararapes. No domingo, o comércio do terminal recifense teve que ser suspenso por causa de uma suposta bomba, denunciada por um provável trote telefônico.

São cerca de 2 milhões de decolagens e pousos por ano que estão agora sob a atenção mais aguda de órgãos como Polícia e Receita Federal, Infraero e Dapartamento de Aviação Comercial, o DAC. Cada um dos cerca de 35 milhões de passageiros que passam anualmente por aeroportos brasileiros vai sentir, quando precisar embarcar, a mudança mais evidente. Além de apresentar a cédula de identidade no balcão de check-in, é preciso mostrar o RG também no acesso à sala de embarque. Antes, bastava o cartão de embarque da companhia aérea com essa finalidade. “Não podemos permitir, em nenhuma hipótese, que alguém venha a embarcar no lugar de outra pessoa”, diz Henriette Bessa, gerente de segurança da Infraero no Aeroporto dos Guararapes.

Uma lista de objetos proibidos, antes tolerados, foi posta em vigor. Nem suvenires escaparam do controle aeroportuário. Facas ornamentadas, ferramentas de trabalho, estiletes, tesouras, inclusive para unhas, e aerosóis e acetonas, que podem emitir gases inflamáveis, estão vetados a bordo. Foi justamente com lâminas corriqueiras que os terroristas sequestraram os aviões norte-americanos que derrubaram o WTC e parte do Pentágono.

“Esses objetos devem ser despachados para a bagagem de porão”, diz Bessa. “Quem teve objetos apreendidos deve procurar a Infraero, no aeroporto, em até 30 dias. Depois disso, só com a Justiça Federal”, orienta.

Banheiros e locais públicos, como cabines telefônicas, estão sob os olhares de homens treinados, alguns à paisana. Por questões óbvias de segurança, os órgãos envolvidos não divulgam o efetivo que passou a disponibilizar nos aeroportos. A Infraero, entretanto, admite que houve um aumento de 20% no pessoal de segurança. Cinzeiros e lixeiras, por determinação de uma portaria do DAC, também devem ser alvo de exames constantes. O passageiro não deve estranhar, portanto, se for ‘convidado’ a uma revista. Até mesmo no toalete.

Segundo informações do DAC, as mudanças não se devem ao risco concreto de atentados nos aeroportos brasileiros, mas ao acordo de bilateralidade que a aviação brasileira mantém com a norte-americana. Uma questão, por enquanto, de elegância diplomática.

Assim, voar requer mais tempo disponível. Agora, para os vôos nacionais é preciso se apresentar com duas horas de antecedência. Para os embarques internacionais, são três horas para a apresentação. Não se deve estranhar também os avisos nos autofalantes, quase sucessivos, sobre atenção com a bagagem. “Jamais transporte objetos de terceiros”, dizem os avisos. Antes de embarcar: detector de metais e cães. No desembarque: possivelmente mais cães. Objetos considerados perigosos não podem ser vendidos nas lojas das áreas internas de embarque.

Longe dos olhares dos passageiros, o pessoal de bordo e todo o material de limpeza e suprimentos também está na malha fina. Tanto aparato, espera-se, continue servindo apenas para afirmar relações diplomáticas. Só o aeroporto do Recife teve uma ameaça de atentado. Ainda assim, falsa.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 27.09.2001
Quinta-feira