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Carta de alerta POR FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES Em viagem recente, num trecho aéreo Fortaleza-Recife, li com atenção a carta do comandante Rolim, presidente da TAM, encaminhada aos usuários das suas aeronaves, passageiros sempre tratados com muito esmero e refinada qualidade de atendimento. Intitulada A Exata Medida da Liberdade, o recado, mais que oportuno, era dirigido aos formandos de nível superior que são possuidores de educação incompatível com um diploma de graduação e que estão se portando de modo vexatório em solenidades de formatura. Graduandos acanalhados, constrangendo colegas, professores, dirigentes, familiares e convidados. Diplomados sem as comezinhas posturas requeridas por um mínimo convívio civilizador. Na causa do problema, o comandante Rolim é preciso: a existência do mau uso da liberdade, sem o responsável uso da autoridade. Eis aí, sem mas nem meio mas, o que está ocasionando as agressões de degenerados à universidade e sobre aqueles que nada fizeram por merecê-las. Inclusive os bons alunos, conscientes da sua responsabilidade social, constrangidos em solenidades por marginais desqualificados politicamente. Que nada mais são que filhotes deletérios de grupelhos tidos e havidos como predadores do caminhar pátrio, bostelentos descompromissados com o desenvolvimento nacional, o amanhã para eles sendo entendido como um cenário sem autoridade nem disciplina, sem ciência nem tecnologia, sem moral nem cidadania social, tudo sendo permitido do Oiapoque ao Chuí. Tais aberrações só acontecem em instituições educacionais onde todos mandam e ninguém obedece, onde as escolhas dos dirigentes se pautam por manobras populistas sem consistência alguma, nunca respaldadas na legislação maior de ensino. E que terminam por prejudicar os talentosos e os politicamente mais consistentes, professores, alunos e funcionários. Creio que a Universidade Brasileira não pode prescindir de uma auscultação consistentemente crítica de novos e veteranos. Que rejeitem as ondas dos que apenas desejam barbarizar o ensino superior, expressão ouvida recentemente no Rio Grande do Sul. E que favoreça uma efetiva inserção dos seus integrantes no campo social, nunca desatenta à mensagem de Ortega y Gasset: para andar com acerto pela selva da vida é preciso ser culto, é preciso conhecer sua topografia, suas rotas ou métodos, ou seja, é preciso ter uma idéia do espaço e do tempo em que se vive. Sempre voltado para a edificação de uma universidade de respeito, eis o que postulava Ortega y Gasset: um ambiente para as mais amplas discussões, onde as três funções maiores a transmissão da cultura, o ensino das profissões e a pesquisa científica e formação de novos homens de ciência favoreçam o desencorajamento das excitações truculentas típicas dos que apenas desejam seus cinco minutinhos de glória, ruminando doideiras estapafúrdias. Embora seja correto admitir que se existissem apenas criaturas humanas excepcionais não haveria procedimentos demarcatórios, é bom nunca se olvidar que Gramsci lembrava que toda água, para continuar límpida, tem que seguir adiante balizada sempre por duas margens. Que a Universidade de Pernambuco, revigorada dentro em breve após amplíssimas discussões consistentes, perceba-se capaz de binoculizar seus amanhãs, multiplicando os aplausos para os seus eméritos cursos conceitos A, o de Administração sendo um deles, para alegria geral. Fernando Antônio Gonçalves é professor universitário e pesquisador social. |
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