Ministro da Saúde autorizou o aumento de recursos e de técnicos para atuarem na região mineira mais afetada pela doença
DIVINÓPOLIS (MG) – O ministro da Saúde, José Serra, se reuniu ontem com autoridades sanitárias de Minas Gerais e cerca de 50 prefeitos do Centro-Oeste do Estado, em Divinópolis (MG), para discutir as estratégias de combate à febre amarela silvestre. A doença matou 11 pessoas em sete cidades da região desde 23 de janeiro. Ontem passou de 11 para 19 o número de casos suspeitos. Das vítimas fatais, em apenas seis foi comprovada laboratorialmente a presença do vírus amarílico, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio.
Serra anunciou a liberação de verbas e o envio de técnicos para a região, mas fez um apelo aos prefeitos para que se empenhem em ampliar a cobertura da vacinação contra a febre amarela. O secretário da Saúde de Minas, Carlos Patrício de Freitas e os administradores municipais pediram aumento no repasse de recursos para a região. Também cobraram do ministro a criação no Estado de um laboratório capacitado para fazer exames em casos de epidemia.
Embora Serra tenha anunciado o envio de mais técnicos do Ministério, adiantamento de verbas destinadas a atacar epidemias e cinco veículos para a Fundação Nacional de Saúde na região, as autoridades mineiras ficaram frustradas.
SEM FOCOS – O ministro reconheceu a gravidade da situação, mas negou que o surgimento de focos de febre amarela silvestre na região signifique que a doença possa se tornar epidêmica no Brasil, mesmo a urbana, o que não acontece desde 1942.
“Esta doença sempre esteve presente e, por isso, não se pode dizer que ela voltou ou que haja uma epidemia”, disse Serra. O ministro atribuiu os casos a deficiências no serviço de vacinação, tanto no Estado quanto em alguns municípios. “Fizemos a vacinação em massa no Brasil, a partir de 1998, e conseguimos índice de cobertura de 78%”, destacou.
“Mas a gente verifica algumas cidades que não corresponderam à expectativa e pedimos empenho dos prefeitos agora”, completou.
Serra citou o exemplo de Campo Belo, uma das 54 cidades da região, que vacinou, segundo dados do Ministério, apenas 7,5% de sua população. O ministro deixou Divinópolis prometendo antecipar a inclusão das últimas seis das 54 cidades da região mineira na relação de municípios credenciados e com direito a recursos para combater epidemias.