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INTERNET Adeus fanzine, viva o e-zine POR CAROL ALMEIDA Há bem pouco tempo, quando um grupo de pessoas decidia criar uma revista sobre cultura e entretenimento, o dinheiro da cerveja do final de semana era convertido na impressão de um fanzine. Na melhor das hipóteses, esta revista era distribuída em ambientes universitários, lida por alguns calouros e impressa em mais duas ou três edições até que o grupo chegasse ao fim de seu deslumbramento pelo mercado. Hoje, quando alguém decide criar uma revista sobre cultura e entretenimento, é preciso apenas ter um computador com acesso à Internet, um programa de montar interfaces (programas que geralmente são bastante didáticos) e alguma idéia inteligente o suficiente para chamar atenção de um público eclético: os internautas. O dinheiro da impressão da revista vai para o webmaster e ainda sobra para a cerveja. Provocada por essa sobra de idéias e falta de dinheiro no mercado, a rede está acumulando agora sites culturais que, assim como os velhos fanzines, ainda se dividem entre a maioria ruim e a minoria boa, esta última, às vezes, muito boa. A proposta destes novos meios é filosoficamente a mesma de um zine: falar de assuntos exclusivos que por algum motivo não foram notícia nos meios de comunicação mais lidos, vistos e ouvidos. A diferença para o formato impresso neste caso é que os sites investem em uma linguagem nova e oferecem serviços rapidamente atualizados para o leitor. Nosso público é formado por qualquer um que esteja interessado em saber o que há de bom para se fazer no Estado, explica a editora da mais nova página em entretenimento de Pernambuco, a Tô na Boa. Com estrutura de um revista, 15 pessoas na redação entre jornalistas, estagiários, webmaster e webdesigner, a Tô na Boa entrou no ar em janeiro deste ano, depois de meses pesquisando serviços de lazer pelo Estado. O site ainda não está completo, mas já oferece matérias, atualizadas diariamente, sobre comportamento e diversão. Cinema, teatro, exposições, restaurantes e boates são alguns dos serviços disponibilizados na página. Alguns ainda precisam ser revisados e ampliados, como é o caso do tópico praias, por exemplo. Em outra página também lançada no mês passado, a Veja Noite Recife, a proposta é semelhante: matérias curtas, sempre objetivando serviços de lazer, e uma agenda atualizada de shows e festas, além do roteiro de cinema, teatro e exposições. Neste caso, como a página tem o nome da revista semanal de mesmo nome, a estrutura também não é lá tão amadora e inventiva como seria num fanzine universitário. Aliás, em se tratando de serviço, o da Veja é o melhor referencial. Destaque para o guia completo de restaurantes que, por enquanto, só pode ser acessado no formato de busca, ou seja, você procura por algum nome ou estilo de restaurante que surge uma lista de opções, com tipos de cartão de crédito que a casa aceita, média de preço e pratos mais pedidos. No mesmo mote de serviços, a Tiketes, uma das mais antigas páginas de entretenimento do Recife, tem uma oferta de shows, festas e eventos com o diferencial da entrega pessoal de ingressos. Apesar de não ser atualizado com a freqüência ideal (e de ainda não contar com o apoio de todas as produtoras culturais), o site dá uma prévia do que vai acontecer de shows e festas na semana e vende ingressos pela rede ou por telefone. Já a Recife Jovem tem, como o nome diz, um público-alvo mais específico. A página funciona como um portal para todo tipo de notícia que interessa aos jovens (em sua maioria, adolescentes), além dos serviços de lazer e festas. Informações sobre música, sexo, boates, bares, restaurantes, notícias esportivas, teatros, cinemas e atrações culturais são as pautas principais do site, que ainda disponibiliza uma série de links de outros sites pernambucanos. Bem mais ampla em suas pautas e com uma proposta semelhante a de um e-zine (e é assim que eles se proclamam), A Ponte foi reformulada no final do ano passado e entrou no ar com um visual completamente voltado para a rede. O fanzine de mesmo nome que deu origem à página foi extinto (naturalmente devido ao custo da impressão e do limite de espaço) e agora o site disponibiliza até mp3 de bandas pernambucanas. Esta nova versão foi pensada para o meio da Internet, estamos lidando agora com a arquitetura da informação. Nossos textos são compactos, leves e sempre há sublinks em cada página. Sem contar que agora o site ficou mais interativo e nós estamos com uma novidade: as promoções, destaca Carol Vergolino, uma das editoras da página. No outro extremo da ponte, está o Le Mangue. O site foi projetado como parte do projeto experimental de graduação do jornalista Ricardo Valença e será atualizado a partir deste mês com um linha editorial à parte do universo já congestionado de textos-pílulas. Nossa proposta é divulgar a produção científica e cultural de Pernambuco e para isso vamos fazer reportagens que utilizem recursos não possíveis num jornal, na TV ou em uma revista. Ou seja, matérias que mexam com texto, áudio, vídeo e, dentro de algum tempo, flash, esclarece Ricardo. Apesar de apresentar matérias turísticas recheadas de fotos (ponto mais que positivo em se tratando deste tipo de serviço), a página não quer se transformar em um guia de rápida leitura e digestão imediata. Nós fazemos reportagens e não notas, completa o idealizador do Le Mangue. Serviço www.tonaboa.com.br |
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