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INTERNET II
Sites deixam amadorismo de lado para sair do vermelho

Inicialmente encarada como a galinha dos ovos de ouro, a Internet mostra sua real face competitiva e deixa no mercado apenas os melhores

O que antes era uma calmaria, agora se transformou em um maremoto de informações. Para sobreviver entre a infinidade de naufrágios empresariais que alimentam hoje a perigosa indústria da Internet, os sites precisam de uma garantia mínima de que não irão viver eternamente no vermelho. Para isso, eles estão investindo cada vez mais em profissionalismo, oposto ao experimentalismo deslumbrado que antes dominava a linguagem html. Em se tratando de páginas culturais, a regra é a mesma: dinheiro no bolso, concorrência no ar, anúncios online e uma projeção a longo prazo de ganhar dinheiro.

Muitas das páginas pernambucanas que se propõem hoje a divulgar entretenimento na rede têm estrutura de empresas. Trabalham com funcionários especializados, pagam conta de luz, telefone e até de viagens. Por trás dessa estrutura estão empresas maiores, que além de investirem no mercado online, tutelam outros negócios. Este é o caso do Tô na Boa. O site pertence à Optimídia Comunicação Ltda, uma organização que surgiu há seis meses e faz serviços como criação de sites e assessoria de imprensa. A Optimídia não divulga o quanto gasta para manter o Tô na Boa (a página arca com viagens regionais e equipe própria de fotógrafos), mas admite que só pretende pagar seu investimento inicial em dois anos.

“Um site com cobertura local custa em média R$ 40 mil. Caso tenha abrangência regional, chega a R$ 140 mil, somando os investimentos em publicidade, viagens e todos os tipos de gastos necessários”, afirma Carol Vergolino, uma das editoras do site A Ponte. A jornalista trabalha junto a mais três pessoas que se dividem nas funções de editor, marketeiro, repórter e webmaster, além de 22 colaboradores de textos, fotos e ilustrações. Ao contrário do Tô na Boa, A Ponte não tem uma empresa investidora. “Para sobreviver, até hoje trabalhamos com produtos de comunicação, incluindo vídeos, assessoria de imprensa, produção e organização de eventos”, completa Carol.

Com uma estrutura semelhante, porém de proposta completamente diversa, a página da Tiketes é gerenciada por seu mesmo idealizador, Leonardo Bandeira. A idéia dele é simples e, por enquanto, tem dado certo: “o lucro é certo quando o custo é praticamente zero”, garante ele. Como a Tiketes é uma página essencialmente de vendas online (ou por telefone), ela funciona de uma maneira diferente e seu lucro não depende diretamente de anúncios online. O dinheiro da Tiketes é concreto: vem da margem da taxa de entrega dos tiquetes na casa dos clientes. “Eu mesmo faço as atualizações, levando o custo lá para baixo”, explica Leonardo, que trabalha com oito funcionários, entre telefonistas e entregadores.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.03.2001
Sábado