![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
MODA Estilista italiano quer revelar talentos na Casa de Passagem
Augusto Perrone ministra um curso completo de moda para 20 meninas carentes atendidas pela instituição. De acordo com sua experiência no projeto Axé, as aulas devem capacitar as meninas para trabalhar no setor têxtil Cortes estruturados, tecidos encorpados e as últimas tendências da moda internacional. Se você acha que isso não tem nada a ver com o mundo de crianças carentes, precisa conhecer o trabalho que o estilista italiano Augusto Perrone está fazendo na Casa de Passagem, com 20 meninas atendidas pela instituição. Durante um ano, elas vão estudar todo o processo de criação de uma grife, começando pelo desenhos da coleção e indo até à confecção das peças. O curso termina com um desfile, que deve acontecer no início de 2002. Depois de emprestar seu talento para grifes italianas, alemãs e japonesas, Perrone decidiu trabalhar para ele mesmo. Só que, trabalhar para ele mesmo, neste caso, não significava montar seu próprio negócio, virar um grande empreendedor e ter uma conta milionária no banco. Ao contrário, ele decidiu fazer o que gostava. Por isso, planejou uma viagem de três meses para ensinar o bê-á-bá da moda a crianças carentes no projeto Axé, da Bahia, trabalhando como voluntário. Acontece que esses três meses viraram oito anos e Perrone ficou até o ano passado em Salvador. Quando ele decidiu voltar à itália, foi convidado pela diretora da Casa de Passagem, Ana Vasconcelos, para prestar uma consultoria à instituição, coordenando um curso de moda. Perrone, que desejava fazer alguns cursos em seu país de origem, viu na proposta de Ana uma ótima maneira de conciliar as duas coisas: o trabalho com meninas carentes e as especializações que pretendia levar adiante. Assim, ele formou uma equipe de apoio, que ministra as aulas enquanto ele está no exterior, e vem ao Recife duas vezes por ano, para ter um contato direto com as alunas e as professoras. O início do curso aconteceu duas semanas antes do Carnaval. Depois de ter recebido livros sobre a cultura pernambucana, Perrone elegeu três assuntos para serem trabalhados e batizou as coleções como Fandango, Antúlio Madureira e Recife Antigo. Ainda estamos em fase de pesquisa e criação, não dá para mostrar ainda o que faremos, explica. Como os temas deixam antever, a idéia de Perrone é usar o universo da cultura regional como ponto de partida para o desenvolvimento de roupas que tragam noções contemporâneas de modelagem, tecidos e estamparia. Sua proposta é manter sempre essa simbiose entre os valores regionais e os padrões internacionais. Apesar da intenção de Augusto Perrone em criar uma grife na Casa de Passagem, ele mesmo admite que essa não é a melhor parte de sua atuação. O ponto alto da investida é a profissionalização das meninas que fazem parte do curso. Quando o programa é finalizado, elas estão aptas a trabalharem em qualquer área ligada à produção da moda, podem ser aproveitadas na indústria ou montarem sua própria confecção, avalia o estilista. Eu não ficarei surpreso se talentos forem revelados. Foi essa minha experiência no projeto Axé, ressalta. Além de capacitar as alunas num setor vasto como o da indústria têxtil, o curso também tem como objetivo melhorar a aceitação que as meninas têm delas mesmas e de sua realidade. A moda cria modelos de comportamento, arquétipos. Quando você coloca isso nas mãos das meninas, você abre espaço para que elas criem seus próprios modelos. Esse processo as valoriza, aumenta a autoestima delas, afirma Perrone. |
|