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LITERATURA Mário Prata lança livro escrito a mil mãos graças à Internet Anjos de Badaró foi redigido num período de seis meses, ao vivo, podendo ser acompanhado por internautas que não se negaram a dar vários palpites na comédia policial que envolve um ginecologista e prostitutas POR DARIO BRITO Escrita ao longo de seis meses ao vivo pela Internet, a comédia policial de Mário Prata, Os Anjos de Badaró (Ed. Objetiva, 256 págs.), é uma deliciosa surpresa. Com a sua criação acompanhada de perto por dezenas de internautas que se transformaram em palpiteiros de primeira, o livro assim como a sua exeperiência pioneira, já chegou a ser tema de cinco teses acadêmicas (uma delas na Itália). A cada dia Mário Prata escrevia um capítulo no site www.marioprataonline.com.br vigiado por uma legião de fãs que foi conquistando pouco a pouco, ávida para conferir os cortes, as reviravoltas e assassinados do livro. O autor aproveitava também para ler as sugestões que recebia para sua novela policial pós-eletrônica. Xeretando no site, passaram cerca de 400 mil leitores de primeira mão que deixaram mais de um milhão de sugestões. Entre os que estavam diariamente na página, nicknames curiosos como Carmina Burana, Absurdo, Tom Cruise, Litte Mary e Aquele. Para eles e outros tantos, o escritor dedica o livro, praticamente repetindo as últimas palavras que digitou para os internautas no chat em sua última mensagem: Fiquem com Deus, os anjos são vocês. A trama gira em torno da vida do médico ginecologista Ozanan Badaró. Para alguns homens, esse sexagenário acabava de tirar a sorte grande, por conta do novo trabalho que lhe caiu nas mãos: o de provar algumas garotas de programa, numa espécie de cadastramento para uma corporação especializada no prazer alheio. A tentadora e irrecusável proposta consistia em treinar, examinar e avaliar joviais moçoilas com muito amor para dar, a quem carinhosamente ele se referia como anjos. Mas como a maioria dos homens mal-amados de idade avançada, Badaró caiu na própria armadilha: apaixonou-se por um dos seus anjos. Com o império crescendo devido a criação de sites e conquista de clientes interessados na prestação de serviços de alto nível, seria fácil se envolver com pessoas interessadas na sua eliminação. A leve desconfiança de que ele era alvo de morte, fez com que Badaró guardasse alguns disquetes com informações sigilosas da sua vida e da organização como precaução. Caso isso acontecesse, o material viria a tona. E eis que um dia, o ginecologista realmente aparece morto. O receptor das informações deixadas por ele é o seu único amigo, o repórter policial da velhíssima guarda Alcides Capella. O jornalista carrega a cruz de um casamento morno com o que parece ser a encarnação fiel da Amélia, uma dona de casa chamada Cláudia. Como todo bom livro policial que se preze, há dupla personalidade na trama. Na verdade, Cláudia esconde a identidade secreta da detetive particular Lurdes de Fátima, formada num exigente curso por correspondência que se intromete nos arquivos recebidos por Capella e tenta descobrir o assassino. Para completar o time, entra em campo Dona Blanche, a sogra de Capella. Ela, uma velhinha com ares de fofoqueira interiorana chega com vontade de armar o circo e consegue se transformar numa das personagens mais interessantes do livro. Internauta da categoria hard, a anciã fogosa dá uma aula de informática para a filha e o gerno. Ao longo do livro, ela carrega no assanhamento mostrando-se frequentadora assídua de sites picantes e chats recheados de sacanagem. Realmente não interessa ao leitor quem cometeu o crime, pois o assassino fica claro até para quem possui massa cinzenta suficiente apenas para encher um pote de margarina. A carta na manga que Mário Prata esconde é justamente fazer com que se descubra como o crime foi cometido, enquanto o leitor se prepara para o final surpresa. |
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