Os familiares dos pacientes internados na Emergência-Geral do Hospital Agamenon Magalhães (HAM), no bairro do Parnamirim, no Recife, estão revoltados com a proibição da entrada de acompanhantes na unidade. A medida entrou em vigor na última quinta-feira e objetiva evitar a superlotação do local. A determinação da diretoria causou polêmica porque os parentes alegam que os doentes não estão recebendo a atenção merecida de enfermeiras e médicos. Algumas famílias disseram que a equipe de assistentes sociais do hospital não está fornecendo informações sobre o estado de saúde dos pacientes.
A dona de casa Adilene de Santana, 36, denuncia que a sogra de 93 anos está internada na emergência há oito dias com infecção generalizada e, até ontem de manhã, não havia sido transferida para um local mais apropriado. “Ela está com uma ferida nas costas por ficar o tempo todo na mesma posição, mas ninguém se moveu para ajudá-la. A gente chama e as enfermeiras fingem que não ouvem.” Ela não se conforma de estar sendo privada da companhia da sogra. “O hospital se nega a dar qualquer tipo de informação”, disse Aldilene.
O marido da doméstica Marinez Alves, 53, está internado com um tumor no estômago. Desde que entrou na emergência, há cinco dias, ele foi avisado que seria transferido para um hospital conveniado, onde se submeteria a uma cirurgia. Marinez disse que ele permanece no local e sequer foi colocado numa cama. “Meu marido está numa cadeira. Ele precisou tomar uma injeção, mas a enfermeira demorou duas horas para aparecer. Desse jeito não vai sobreviver”, afirmou Marinez.
REFORMULAÇÃO – A diretora do HAM, Darcy Alcoforado, explicou que os parentes podem visitar seus doentes por um tempo restrito, desde que combinem com a assistente social de plantão o horário e o número de pessoas de visitantes. Os pacientes que estiverem internados na emergência precisando de cuidados mais específicos serão transferidos para os 11 hospitais da rede conveniada ao SUS.
Darcy justifica a medida se baseando numa lei federal que proíbe a estadia de acompanhantes em emergências. Ela, no entanto, não soube informar o número dessa lei. “Antes da reforma, era uma balbúrdia, com familiares ocupando até o espaço dos médicos. Agora estamos adotando as mudanças necessárias”, acrescentou Darcy. A Assessoria de Imprensa do Ministério da Saúde declarou que não existe legislação sobre este assunto. Há apenas a Portaria 280/99, que garante a todo paciente acima de 60 anos o direito de ter um acompanhante em caso de internação em hospital público.