Ex-prefeito é acusado de desviar R$ 10 milhões das contas públicas. Denúncia também está sendo analisada pela Procuradoria Regional da República
A Polícia Federal começou a investigar ontem os desvios de verbas federais detectados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) na prefeitura de Ouricuri, município do Sertão do Araripe, distante 630 quilômetros do Recife. Há cerca de dois meses, uma denúncia foi encaminhada ao TCE, calculando em R$ 10 milhões o rombo nas contas da prefeitura, durante a administração anterior. Desde novembro do ano passado, a Procuradoria Regional da República abriu uma investigação específica sobre desvios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef) no município.
A Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco designou o delegado Marcos Cotrin, lotado atualmente na delegacia da PF de Salgueiro, para investigar as contas da prefeitura. O delegado passou o dia ontem reunido com o atual prefeito Francisco Ramos da Silva e recebeu documentos da prefeitura para iniciar a análise do material.
Também foram examinadas prestações de contas de verbas recebidas do Sistema Único de Saúde (SUS). A Polícia Federal solicitou ao promotor da cidade cópias do inquérito policial aberto na delegacia municipal em relação aos desvios do Fundef. “Esse inquérito ainda não chegou à fase de denúncia e se encontra sob análise aqui na promotoria. Vamos avaliar a solicitação do delegado e ver se é possível colaborar com a investigação da Polícia Federal”, revelou o promotor de Justiça de Ouricuri, Henrique Ramos.
CRUZAMENTO DE DADOS – O procurador regional Wellington Saraiva é o responsável pela investigação do desvio de verbas federais no município de Ouricuri. Segundo ele, o processo de apuração da denúncia já foi iniciado e vai utilizar também informações do TCE. “Já solicitamos o que foi apurado pelo Tribunal de Contas do Estado para fazer um cruzamento com os dados que reunimos sobre o caso. De posse dessas informações, daremos prosseguimento às investigações”, afirmou o procurador.