JC OnLine - Editoria Cidades
LG_jc.gif (3670 bytes)

DENÚNCIA
Doméstica presa por maltratar filhos

CARUARU – A doméstica Juceline Batista da Silva, 24, foi presa no final da manhã de ontem, sob a acusação de manter os quatro filhos em cárcere privado, no barraco onde mora, na 4ª Travessa São José, Morro Bom Jesus. A doméstica foi detida ao passar em frente à delegacia regional, no momento em que os vizinhos prestavam queixa dos maus-tratos contra as crianças. Por segurança, antes de prestar depoimento, os policiais levaram Juceline para dentro de uma cela, por algumas pessoas ameaçavam linchá-la.

Desde a manhã da última segunda-feira (26), as crianças eram mantidas presas dentro de casa. “Tivemos pena quando vimos o menino mais velho abrir a parte de cima da porta e pedir comida”, afirmou o carroceiro Elias Gercino do Nascimento, 21, vizinho da acusada. Após arrombarem a porta, os vizinhos encontraram um cenário desolador: fezes e urina espalhadas por todo canto e ratos e insetos andando sobre os móveis. Uma das crianças, L.F.S., de apenas seis meses, permanecia com a mesma fralda há cinco dias.

A revolta da vizinhança aumentou quando encontraram o filho mais velho da doméstica, L.F.S., 7, comendo uma mistura estragada de fubá, água e sangue de galinha, único alimento destinado aos quatro irmãos, entre eles M.M.S., 3 e A.F.S., 2. “Mesmo se quiséssemos tomar conta das crianças seria difícil, pois dificilmente vemos a mãe delas, que não pára em casa. Essas crianças não podem permanecer assim, abandonadas”, protestou a dona de casa Maria do Carmo da Silva, 27. Ela afirma que as crianças também eram espancadas pela mãe.

Em seu depoimento a acusada disse que trabalhava acompanhando idosos no Hospital São Sebastião, mas que deixava uma pessoa tomando conta dos meninos. Explicou que o pai dos três filhos menores, que trabalha como gari na prefeitura, teria deixado de mandar o dinheiro para as crianças sob pressão da atual esposa. Já o pai do mais velho trabalha como pescador em Maragogi (AL) e não teria condições de criar o filho.

“Não tenho medo de perder a guarda das crianças. O que eu quero é que o juiz arrume uma pessoa que cuide deles, o que me deixaria tranqüila”, afirmou. As crianças foram medicadas no Hospital Regional do Agreste, e ficaram sob a guarda temporária de dois vizinhos, que assinaram um termo de compromisso e responsabilidade.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 03.03.2001
Sábado