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NUTRIÇÃO
Jerimum reduz carência de vitamina A

Pesquisadores da UFPE comprovaram em laboratório eficácia de mistura láctea que tem a abóbora como matéria-prima para combater problema

Uma mistura especial de jerimum, leite em pó e açúcar pode ajudar a reduzir um dos problemas de saúde pública no Estado: a carência de vitamina A na população, sobretudo a de baixa renda. O jerimum é rico em carotenóides, que atuam como substitutos vegetais da vitamina no organismo e ajudam a prevenir doenças como a cegueira noturna, o raquitismo (deficiência no crescimento), problemas de pele e até mesmo alguns tipos de câncer. A pesquisa vem sendo desenvolvida há cinco anos como tese de doutorado da química industrial e professora do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Zelyta Pinheiro de Faro.

De acordo com ela, a fundamentação do estudo baseou-se em dois fatores. Primeiro, pelo fato de a vitamina A ser encontrada em alimentos de origem animal – como fígado do boi, gema de ovo e manteiga - considerados caros ou não-aceitos pela população, principalmente pelas crianças. Segundo, porque o jerimum já está incorporado ao cardápio dos pernambucanos. “Uma pesquisa apontava a abóbora como o quinto produto mais comercializado e tivemos a idéia de desenvolver uma forma de industrializá-lo”, explica.

A mistura láctea é simples e pouco agressiva à matéria-prima. O jerimum é cortado, passa por uma secagem em tambor até ser desidratado e transformado em flocos. Em seguida, açúcar e leite são adicionados, formando uma espécie de milk-shake sabor vegetal. “Fizemos os testes em roedores e detectamos que os animais submetidos a dieta à base dos flocos de abóbora apresentaram no fígado 3,5 vezes mais vitamina A que os ratos que não receberam o composto”, afirma a professora da UFPE.

Posteriormente um grupo de provadores treinados também testou o produto. “O próximo passo será submeter a bebida a crianças em fase de desmame e avaliar o nível de absorção dos substitutos vegetais da vitamina A”, informa Zelyta de Faro. No período em que se abstêm do leite materno, as crianças precisam de alimentação complementar e o jerimum pode suprir parte dessas necessidades.

Já estão sendo realizados estudos para avaliar qual a embalagem mais adequada para o milk-shake vegetal. “Não importa a forma, o fundamental é que a população consuma o jerimum, que, entre outras vantagens, possui baixo teor calórico e não tem colesterol”, argumenta Zelyta.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.03.2001
Sábado