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CUSTO DE VIDA
Pãozinho deve ficar mais caro

Moinhos repassam às panificadoras o reajuste de 10% no preço do trigo. Desafio é absorver aumento sem repassá-lo ao consumidor

O preço da farinha de trigo aumentou 10% e está pressionando o preço do pãozinho. Para os panificadores o desafio é absorver o reajuste ou repassar o mínimo possível aos consumidores. Os motivos apontados para o aumento são a valorização do trigo em grão no mercado internacional e a desvalorização do real frente ao dólar. Como todo o trigo moído no Nordeste é importado, a saída encontrada pelos moinhos foi repassar o impacto para as panificadoras.

De acordo com o panificador Nelson Braz, a farinha vem sofrendo pequenos reajustes ao longo dos últimos quatro anos. “Agente vem aguentando esses aumentos com a redução dos nossos custos e economizando em outros pontos para não repassar nada. Se o reajuste for repassado, o cliente desaparece”, pondera.

Em média, o reajuste significa de R$ 4 a R$ 5 a mais no preço do saco de 60 quilos. Até ontem, podiam ser encontrados sacos por preços que variavam de R$ 31 a 37. Com o aumento, a margem de preços passa a variar entre R$ 35 e R$ 41. Caso os 10% sejam repassados para o cliente, o pãozinho chegará à mesa do consumidor 1 centavo mais caro – passando a ser vendido por 13 centavos, no lugar dos atuais 12 centavos. Para quem consegue preços melhores na compra da farinha de trigo e hoje oferece o pãozinho por 10 centavos, o novo preço seria de 11 centavos.

Para Nelson Braz, o pãozinho de 50 gramas não pode ser visto como vilão. “Na verdade, o pãozinho tem sido o herói dos preços baixos.” Braz conta que os preços cobrados na sua panificadora são os mesmos desde 1996. Ele afirma que para manter os preços, muitos panificadores precisaram apelar até para a demissão de funcionários.

BISCOITOS – O reajuste atinge também a indústria de massa e biscoitos. Para o segmento, o saco da farinha pode ficar até R$ 8 mais caro. Com isso, o saco de 60 quilos passa de R$ 28 para R$ 36, o que significa um aumento de 28,5%.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.03.2001
Sábado