![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Que picanha nada, o bode é a nova mania na cidade POR ROSÁRIO DE POMPÉIA Não se sabe como, quando e de quem partiu a moda de comer bode no Recife. A única certeza é que a mania pegou e os restaurantes que possuem o produto no cardápio lotam, diariamente, atendendo um público variado, desde jovens a adultos. A procura fez com que os chefs inventassem mais pratos a partir do bode,não servindo apenas as receitas mais tradicionais: bode guisado e assado. Agora consome-se praticamente tudo o que deriva deste caprino: caldinho, bolinho, lingüiça, coração e até a cabeça. Anos atrás, quem queria comer um bom prato de bode tinha que fazer uma pequena viagem ao interior do Estado, especialmente a Petrolina. O máximo que se via no Recife eram poucos restaurantes, como o Rei do Cangaço e o Entre Amigos. Hoje se encontram na cidade mais de sete endereços. Quem poderia imaginar patricinhas molhando pão no molho de bode? Nem todas arriscam. Uma grande parte freqüenta os bares, que têm o bode como especialidade, por puro modismo ou para acompanhar os amigos. Não gosto de carne, muito menos, bode, mas freqüento o local, afirma Raquel Pires, 19. O começo é assim, conta Fabiana Belli, que ia ao Empório sempre com os amigos. No início tudo era um horror. Experimenta isso, experimenta aquilo, agora já come todos os pratos e freqüenta o restaurante pelo menos cinco vezes na semana. Já Rodrigo Setti, mineiro radicado em São Paulo, quando chegou ao Recife, foi apresentado à especialidade culinária assim que chegou. A princípio achei estranho o cheiro. Agora, já estou no segundo prato, conta . ESTILO- Cada bar com seu público. No MC Bode, por exemplo, dia de sexta-feira por volta das 19h, é a vez dos jovens se acomodarem para tomar um caldinho, sem esquecer a pimenta e o azeite. Aos sábados e domingos, a faixa etária aumenta para uma média de 25 anos de idade, que não fica apenas no caldinho, mas come pernil, lingüiça e arrumadinho de bode. Atender um público mais adulto é uma característica do restaurante Rei do Cangaço. Nele, a velha e boa lapadinha que acompanha o bode não foi esquecida. Lá encontra-se uma Cachaçaria que serve as mais variadas cachaças, como Germana, Havana, Divininha, Ypióca, Pitú, inclusive a Serra Grande, que acabou de voltar ao mercado nacional. O Empório é o local que recebe os mais variados tipos de clientes. Além disso, é o ponto de encontro de poetas, jornalistas e políticos da cidade. Eles o frequentam toda as semanas, principalmente aos sábados e aos domingos, antes de ir para alguma festa ou no fim da noite. Um dos aperitivos mais pedidos é a tripa de bode assada, acompanhada de vinagrete e farofa. No primeiro instante, não parece um prato muito apetitoso. Com coragem para encarar uma garfada, a primeira impressão se desfaz. O clima de azaração fica por conta do Entre Amigos, o Bode. O pioneiro neste estilo de comida na Zona sul. O local começou com apenas uma banca de revista, vendendo cerveja e espetinho de bode. Com o tempo, a freguesia aumentou tanto que, hoje, o bar está com 900 m2 e conta com três ambientes para atender cerca de 30 mil clientes por mês. Para se ter idéia, pouco mais de uma tonelada de bode é consumida semanalmente. Em relação aos pratos, merece destaque o superbode acompanhado de pirão de queijo, uma especialidade do local que dá um toque especial ao caprino. Queijo batido e misturado com algum ingrediente que lhe traz consistência. Qual é a receita? É segredo da casa, garante o dono Roberto Farias. O Cantinho da Paz não tem o bode exatamente como sua especialidade, mas aquele servido lá é considerado campeão entre os conhecedores. O Cantinho da Paz é um daqueles lugares simples que cresceram graças à qualidade de sua comida padrão que vem sido mantido por sua proprietária, Da Paz, que faz questão de vistar mesa por mesa em busca de opiniões. O bode guisado é preparado em dois tamanhos, a meia porção e a inteira. A primeira satisfaz bem duas pessoas de apetite moderado. O acompanhamento é o feijão verde, macaxeira, o molho vinagrete e a farofa. ESCOLHER O BODE Os mais acostumados ao cheiro típico do bode nem se incomodam com esse detalhe. Mas ele ainda é muito rejeitado por isso. Para escolher o bode existem alguns pré-requisitos. O ideal é que ele esteja com seis a oito meses, pesando em média 10kg, avisa Carlos Alberto, proprietário do MC Bode. Jamais pense em comprar um bode velho, pois sua carne está mais dura. Quanto ao cheiro, a maior preocupação é quando for abater o bode, deve-se evitar bode castrado e em época de acasalamento. E não se esqueça de saber a criação dele. O bode criado solto é mais gostoso. Com ração, o gosto muda, avisa Robertinho, proprietário do Empório Sertanejo. |
|