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Obras do acervo do Mamam abrem temporada de arte pós-Carnaval

Os acordes carnavalescos estão arrefecendo, as últimas serpentinas caem e hora de pensar numa programação leve para este fim de semana. Que tal repousar as pernas e o espírito no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam)? Lá, o ex-folião vai encontrar a mostra Ateliê Pernambuco, com obras do próprio acervo do museu. Como o nome indica, essa exposição faz um apanhado do trabalho de diversos artistas pernambucanos, como João Câmara, Vicente do Rego Monteiro, Cícero Dias, Abelardo da Hora, Gil Vicente e Bajado. Os trabalhos podem ser vistos até o dia 25 de março.

E para encarar o museu depois da farra, nada melhor que uma mostra leve, cheia de pinturas, sem aquelas obras contemporâneas que fazem o povo pensar muito. E se a idéia é levar aqueles amigos que vieram do Sul do País para conhecer a arte pernambucana, então Ateliê Pernambuco é o lugar ideal. Algumas das obras que fazem parte da exposição são exemplares característicos do trabalho dos artistas daqui.

Como a maioria do que está exposto é muito bom, os visitantes não vão ter trabalho para encontrar uma diversão cultural de primeira linha. A começar pelas peças que são exibidas no térreo: uma seleção de cartemas de Aloísio Magalhães e gravuras de Gilvan Samico, duas unanimidades. Numa sala contígua, telas pintadas por Bajado retratam o Carnaval pelo olhar naïf do ‘artista de Olinda’.

Outras obras que merecem atenção são as pinturas da família Rego Monteiro – Vicente, Joaquim e Fédora. É uma boa oportunidade de conferir o alardeado talento de Joaquim do Rego Monteiro, cuja morte precoce deixou no ar uma suposta superioridade em relação aos trabalhos do irmão. Da mesma época, o público pode conferir pinturas dos franceses Marcoussis e Herbin. As telas representam a Escola de Paris (1930) e permitem aos pernambucanos compararem a arte local com trabalhos europeus.

Ainda estão em cartaz desenhos com temas carnavalescos assinados por Lula Cardoso Ayres e obras de artistas do Ateliê Coletivo, realizadas nas décadas de 50 e 60 do século passado. Mais recentes são os desenhos de Gil Vicente, da série Sessenta Cabeças, que integram a exposição. Esses trabalhos fazem um apanhado das várias possibilidades plásticas do desenho de faces.

Apesar de os quadros pertencerem ao acervo do Mamam, eles não são expostos com freqüência. “Por problemas de espaço, não há condições manter esses trabalhos em exposição permanente. Essa é uma das poucas oportunidades de os visitantes observarem tantas obras do acervo juntas”, explica o diretor do museu, Moacir dos Anjos.

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Jornal do Commercio
Recife - 02.03.2001
Sexta-feira