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Mais dois concorrentes ao Oscar têm pré-estréia

POR DARIO BRITO

Duas ótimas pré-estréias nesta semana com bilheterias abertas ao público nos cinemas recifenses. O hollywoodiano Do Que as Mulheres Gostam, com Mel Gibson e Helen Hunt no elenco, e o drama inglês oscarizável Billy Ellitot, são as opções dos apressadinhos. No circuito alternativo, O Jantar, uma obra deliciosa de Ettore Scola sobre dramas pessoais e dissabores da vida.

Imaginem um garoto de 11 anos que tem a sua vida completamente transformada ao entrar em contato com o balé. A mudança seria lírica, poética e fácil, se ele não fosse filho de um mineiro insensível, que não quer que o filho troque seus treinos e luvas de boxe por sapatilhas e piruetas. Dividido entre a descoberta da paixão pelo balé e a pressão e o preconceito familiar, o menino se enche de coragem para tentar uma vaga numa companhia de dança.

O tema é explorado em Billy Elliot, do inglês expert em teatro, Stephen Daldry. Para encarnar o garoto, o estreante em cinemas, Jamie Bell, que praticamente nasceu nos palcos e dança desde os 6 anos de idade.

Mudança de vida também é o mote de Do Que as Mulheres Gostam, da diretora Nancy Meyers. A transformação do executivo Nick Marshall, vivido por Mel Gibson (surpreendentemente numa comédia), ocorre num acidente que lhe dá a possibilidade de ler mentes femininas.

Inicialmente com uma carga extra de informações, Nick passa a se concentrar somente na sua nova chefe, Darcy Maguire (Helen Hunt). De posse de seus novos truques, ele se apaixona e, mais do que isso, consegue quase um milagre: entender perfeitamente o que se passa na mente de uma mulher.

Inédito na cidade, chega um filme de um mestre italiano que, aos 70 anos, conduz a câmera com doses certeiras de delicadeza e sensibilidade. O Jantar, de Ettore Scola, em cartaz no Apolo, põe na mesa os dramas pessoais dos freqüentadores de um restaurante.

De certa forma, uma representação em microcosmo da sociedade italiana nos é revelada: a vida da dona do restaurante, de um culto professor que adora jogar cartas, de um mestre universitário amarrado por uma relação amorosa com uma aluna e de uma quarentona que tem problemas com a filha.

Como fez anteriormente em A Família e O Baile, nos quais as cenas se concentravam num cômodo da casa, no primeiro, e num salão de dança, no segundo, Scola prende a atenção do espectador em cenário único. Um convite para analisar as relações e os problemas humanos. Cinema no melhor sentido.

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Jornal do Commercio
Recife - 02.03.2001
Sexta-feira