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COMPORTAMENTO II
“É tudo uma grande brincadeira”

A vereadora Verônica Costa, mulher de Rômulo Costa, dono do Furacão 2000, diz que funk é diversão e chama rap paulista de “ressentido”

Para a vereadora carioca Verônica Costa, de 25 anos, o que leva à violência são a miséria e o desemprego e não a música. Ela dirige com o marido e seu atual chefe de gabinete Rômulo Costa a empresa de bailes funk Furacão 2000 e a gravadora Furacão Records e diz que o funk é a resposta carioca positiva e bem-humorada ao drama social da cidade. “Quem canta e dança funk seus males espanta. Não acho que uma música leve à violência e o espírito do funk é a brincadeira, a diversão. Essa é a alma verdadeira do carioca, do morador do morro, que tenta aliviar suas dores e sua miséria com uma música alegre e bem-humorada. É por isso que o funk está fazendo tanto sucesso, não só no Rio, mas em São Paulo e na Bahia”.

Os bailes da empresa Furacão 2000 levaram Rômulo Costa à prisão e, agora, já solto, responde a processos por incitação à violência. Mas as festas funk não só se multiplicaram pela cidade como estão fazendo sucesso em São Paulo, a terra do rap. “O rap paulista é deprimido. Nele, há sempre alguém acusando os outros, reclamando, ressentido. O axé é aquela coisa baiana. Todos fazem sucesso porque vêm do povão. Mas o funk é para cima. É a música do cara que veio do morro, do nada, mas quer vencer. É por isso que os paulistas estão gostando do funk. Há dez dias, o Furacão 2000 levou um baile funk para o Fábrica 5, em São Paulo, e deixou dez mil pessoas do lado de fora enquanto quatro mil dançavam lá dentro”, conta Verônica.

Outra prova de que o funk carioca começa a conquistar expressão nacional é o interesse das grandes gravadoras por artistas - os chamados MCs - desconhecidos até gravarem um funk de sucesso na Furacão Records, entre eles o MC Tigrão, do Bonde do Tigrão, que já está com um novo CD nas lojas com o selo Sony Music e agenda lotada de shows pelo país. Segundo a gravadora, Tigrão está tão ocupado que só pode dar entrevistas depois do Carnaval. “As grandes gravadoras roubam meus artistas, mas não ligo. Tenho outros talentos. Recebo de 1.500 a duas mil fitas por semana de novos funkeiros. A garotada da favela está querendo ir à escola para fazer letra de funk”, diz Verônica.

O último lançamento da Furacão Records, o Furacão Tornado, com músicas do Bonde do Tigrão e dos mais populares MCs dos morros do Rio, é vendido em bancas de jornal, mas está esgotado em várias lojas.

Expressão autêntica do povão ou não, o psicanalista Nahman Armony considera perigoso incentivar, na cultura funk ou baiana, aspectos de uma cultura machista presente no espírito popular, como o domínio do homem sobre a mulher e o direito de recorrer à força contra ela.

“Essa imagem de que o homem tem o direito de dispor do corpo da mulher quando quiser e até dar tapa na cara tem enorme poder de penetração popular. Ver uma dança como essa reforça o machismo no inconsciente de cada um. As provocações podem servir como estímulo à libido, desde que não levem à violência. É bom lembrar que, quando há amor de verdade, o chamado ‘papai-mamãe’ é ótimo e basta.”

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Jornal do Commercio
Recife - 25.02.2001
Domingo