Segundo a psicanalista Simone Rothstein, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, a inspiração do axé Tapa na Cara reflete a confusão dos casais de hoje. Bater e dar prazer à parceira ou protegê-la e frustrá-la sexualmente? A música revela homens e mulheres confusos, sem saber quais são os seus papéis, como se relacionar, o que pedir e o que dar.
Essa confusão sexual também é transmitida às crianças, estimuladas pelos adultos a se tornarem cantores e dançarinos de funks e axés. É o que acha o juiz Siro Darlan, da Vara da Infância e da Juventude, ao ameaçar retirar a guarda do menino Jonathan Costa, de 7 anos, filho de Verônica e Rômulo, da Furacão 2000, se ele continuar gravando coisas do tipo "Dança, potranca; dança com emoção; Eu sou o Jonathan; da nova geração."
“O juiz não entende que Jonathan veio com essa música pronta da escola, feita com os amigos. E ele estuda numa escola ótima, na Barra. Eu não o estimulei a nada”, defende-se a mãe.
No caso do carioca Tapinha, os pedidos para que os pais batam porque tapa não dói deveriam ser motivo, segundo o psicanalista Carlos Saba, de séria reflexão. “Quando uma criança pede para apanhar, ela pode estar apenas desafiando os pais. Num primeiro estágio, os pais devem ver o pedido como uma brincadeira e responder algo do tipo: ‘tapa não dói, é verdade, mas eu fico triste ao ouvir isso de você porque você está me dando a entender que prefere a dor física a conversar comigo’. O pai que ama e que reflete sobre o comportamento do filho vai buscar o entendimento numa situação desse tipo pela palavra, e nunca apelar para a dor ou para a violência”, diz.