Por que o Senhor tornou o sexo uma experiência humana tão boa, tão surpreendente e intensa se nós devemos evitá-la de tantas formas? Eu não compreendo. Por que todas as coisas boas são “imorais, ilegais ou engordam”?
Todas as coisas boas não são imorais, ilegais ou engordam. Contudo, sua vida é um exercício interessante de definir o que é bom.
Para algumas pessoas, “bom” significa sensações físicas. Para outras, pode ser algo totalmente diferente. Tudo depende de Quem Você Pensa Que É, e do que está fazendo.
Sexo é alegria, e muitos de vocês tornaram-no tudo menos isso.
Sexo também é sagrado. Mas a alegria e o sagrado se misturam (de fato, são a mesma coisa), e muitos de vocês pensam que não.
Suas atitudes em relação ao sexo formam um microcosmo de suas atitudes em relação à vida.
A vida deveria ser uma alegria, uma celebração, mas tornou-se uma experiência de medo, ansiedade, “insuficiência”, inveja, raiva e tragédia.
O mesmo pode ser dito em relação ao sexo.
Você reprimiu o sexo como reprimiu a vida, ao invés de expressar plenamente o seu Eu, com abandono e alegria.
Você se envergonha do sexo, como se envergonha da vida, chamando-a de ruim e pecaminosa, ao invés de considerá-la a maior dádiva e o maior prazer.
Perceba as suas atitudes coletivas em relação à vida. Quatro quintos da população mundial consideram a vida uma provação, um débito cármico que deve ser pago, uma escola com duras lições que devem ser aprendidas e, em geral, uma experiência a ser suportada enquanto se espera pela verdadeira alegria, que só viria depois da morte.
É uma vergonha que tantos de vocês pensem assim. Não admira que se envergonhem do próprio ato que cria a vida.
A energia que está por trás do sexo é a mesma energia que está por trás da vida; simplesmente é a vida!
A atração e o desejo profundo, e com freqüência premente, de ir na direção um do outro, de tornar-se um só, é a dinâmica essencial de todas as vidas.
É inata, inerente, está dentro de Tudo Que Existe.
Os códigos morais, as restrições religiosas, os tabus sociais e os contratos emocionais que vocês criaram em torno do sexo (e, a propósito, em torno do amor e de toda a vida) tornaram praticamente impossível celebrar a vida.
Desde o início dos tempos, tudo que os seres humanos sempre quiseram foi amar e serem amados.
E desde o início dos tempos eles fizeram tudo que estava ao seu alcance para tornar isso impossível.
O sexo é uma expressão extraordinária do amor: amor ao próximo, amor por si mesmo e amor à vida.
Seus programas de televisão não se importam de mostrar a violência explícita, mas se recusam a mostrar o amor explícito. Toda a sua sociedade reflete essa prioridade.
Texto extraído do livro “Conversando com Deus”, volume 1, de Neale Donald Walsch (editora Ediouro, 238 págs).