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CARNAVAL
Cresci dentro de um bloco

Nova geração dos tradicionais blocos olindenses falam sobre a experiência de nascer em pleno quartel general da folia. Aqui, a culpa é toda dos pais

por LUIZA BARROS

Amanhã cedinho, assim como toda segunda-feira de Carnaval, Olinda terá a honra de receber um conjunto de foliões muito especiais. Todos os anos, fantasiados de vermelho e amarelo, eles tomam as ladeiras cheios de brilho e ares de deslumbramento. É que, para muitos deles, essa é a primeira folia – e fantasia – de suas vidas. O estandarte que o grupo carrega, apesar de pequenininho, consegue abrir verdadeiros clarões nas tumultuadas ruas da cidade alta. Trata-se do desfile do Eu Acho é Pouquinho que, assim como diz a música dedicada ao ‘pai da criança’, também é bom demais.

Uma acompanhante fiel dos foliões estreantes é a estudante de Artes Plásticas Juliana Calheiros, 19 anos. Se há 15 anos, quando o ‘bloquinho’ fez seu primeiro desfile olindense, ela ouvia os acordes da orquestra ainda de fraldas, hoje, já quase adulta, ela se junta aos pais dos pimpolhos e comanda a festa como supervisora. “Em 77, alguns anos antes do meu nascimento, meus pais (os carnavalescos Ivaldevan e Sônia), com outros arquitetos e simpatizantes do Partido Comunista, fundaram o Eu Acho é Pouco. Um tempo depois, foi formado o Eu Acho é Pouquinho, que está com 15 anos, para os filhos dos foliões. Nasci dentro do Carnaval”, conta.

GERAÇÕES – Herdado dos pais, o sangue carnavalesco que corre nas veias de Juliana foi distribuído com seus quatro irmãos. “Nós cinco somos fanáticos, cada um do seu jeito. Luciana, a mais velha, sempre brincou e hoje traz minha sobrinha Ana, de 3. Já Guilherme, que é mais velho que eu, conduz o bloco durante o Carnaval, abrindo caminho e conduzindo a orquestra. Marcelo é responsável pela venda de camisas e participa da organização anterior ao Carnaval. Dudu, o do meio, é o menos apaixonado, mas sempre participa”, conta. Família que brinca unida...

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Jornal do Commercio
Recife - 25.02.2001
Domingo