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Pinga-Fogo
Inaldo Sampaio

Freire recusa ACM

Numa de suas visitas a Pernambuco como pré-candidato a presidente da República pelo PPS, o ex-ministro Ciro Gomes foi categórico com os correligionários: não quer negócio com o PFL. Se esse partido está no poder desde 1º de abril de 1964, disse ele, convém remetê-lo agora à oposição. Esse é também o ponto de vista do senador Roberto Freire, que cada vez mais carrega nas tintas contra Antonio Carlos Magalhães. Explica-se: o candidato do PFL a presidente seria Luiz Eduardo Magalhães, que morreu prematuramente. Órfão dessa alternativa, o PFL passou a trabalhar de mentirinha com quatro candidatos: ACM, Marco Maciel, Roseana Sarney e Jaime Lerner. De mentirinha porque o projeto político do partido é continuar ao lado do PSDB, sem o qual nada será. Daquele quarteto, o único com condições de lançar-se candidato é ACM se o rompimento dele com FHC aumentar seu cacife eleitoral. Do contrário, ele retornará à Bahia em 2002 para ser governador pela quarta vez. Se este cenário vier a confirmar-se, pergunta-se: quem poderia ser o candidato dele sabendo-se que Tasso inviabilizou-se, que o perfil de Serra não o agrada, que ele é rompido com Itamar e que não apoiaria Lula em hipótese nenhuma? Ciro Gomes, claro. Por exclusão. Mas Roberto Freire quer distância dele, malgrado, em política, não ser comum a recusa de apoios, sobretudo de quem tem votos.

Cuidou tarde

Do seu modesto posto de observação, em Caruaru, o ex-deputado federal e atual prefeito, Tony Gel, acha que o PFL “cuidou tarde” para tentar resolver um grave problema com o qual convive há muitos anos: ACM. “O partido sempre ficou a reboque do senador e agora está pagando caro as consequências”, declarou o prefeito caruaruense. Ele acha que o PFL tem “obrigação moral” de continuar apoiando FHC por não acreditar que o partido “vá cuspir no prato que comeu”.

Dia de briga

A bancada federal do PFL reúne-se na próxima terça-feira para escolher o seu líder na Câmara. Disputam o posto Inocêncio Oliveira (PE) e José Carlos Aleluia (BA). Antes da demissão dos ministros baianos, ACM havia dito a Inocêncio que iria apoiar sua recondução. Mas aconteceram fatos novos e talvez ele mude de opinião.

Os “sem cargo”

A bancada estadual do PSDB irá reunir-se na próxima semana para analisar o seu relacionamento com o governo estadual. Por intermédio de Dorany Sampaio, os deputados já foram informados de que não terão cargos no governo. Em Serra Talhada, por exemplo, Augusto César não terá espaço. Os cargos permanecerão com Inocêncio Oliveira.

“Cria” de Moura

Se for chamado para o ministério, como tudo indica que ocorrerá, o senador pernambucano José Jorge (PFL) terá sido a terceira “cria” de Moura Cavalcanti a ocupar o cargo de ministro. As outras foram Krause e Joaquim Francisco. José Jorge era um simples técnico em 74 quando o ex-governador o convidou para ser secretário de educação.

Longe da festa

Em nota conjunta, os vereadores Pedro Mendes (PSB) e Carlito Machado (PSL) rebateram a opinião de Hélio Urquisa (PMDB) segundo a qual o carnaval de Olinda pecou pela desorganização. “Além de ausente, o deputado é desinformado. Tivemos o melhor carnaval dos últimos cinco anos apesar do caos geral em que encontramos a prefeitura”.

PT não quer inflar balão do senador

Entre os motivos que levaram o PT a desistir do pedido de cassação do mandato de ACM, pelo menos um era do conhecimento do deputado Fernando Ferro (PE): o crescimento do senador nas intenções de votos para presidente.

De braços dados com o ex-partido

O PMDB como baú eleitoral parece ser mesmo a “mina de votos” de que tanto fala por aqui o deputado Maurílio Ferreira Lima (PE). Itamar deixou-o em 99 e, apesar do convite de Arraes para filiar-se ao PSB, voltou ao ninho antigo.

A empresa gaúcha que fabricou o painel eletrônico do Senado, ora sob suspeita de mau funcionamento, é a mesma que fabricou o da Assembléia Legislativa de Pernambuco que está sem funcionar há mais de três anos.

Não contem com o apoio de Roberto Freire (PPS) para a instalação de uma CPI mista no Congresso a fim de apurar o “caso” Eduardo Jorge. “Se o Ministério Público não apurou, como é que nós vamos apurar?”, disse o senador ao “Globo”.

Ninguém ligado ao governo estadual compareceu ontem ao cemitério de Santo Amaro para assistir ao sepultamento da mãe do deputado Guilherme Uchoa (PMDB). E da bancada estadual só foram quatro: Rufino (PFL), Geraldo Barbosa (PFL), Sérgio Leite (PT) e João Braga (PV).

O deputado Pedro Eugênio (PPS) visitou ontem o prefeito de Paulista, Antonio Speck (PMDB), para comunicar a liberação pelo Ministério da Cultura de uma verba de R$ 130 mil colocada por ele no OGU do ano 2000 para o forte de Pau Amarelo.

A volta de Itamar Franco ao PMDB isola mais ainda Jarbas Vasconcelos do núcleo que manda no partido. O governador mantém-se afastado de Itamar, de Jáder Barbalho, de Geddel Vieira Lima e de Eliseu Padilha. Seus únicos interlocutores no partido são Pedro Simon (RS) e Michel Temer (SP).

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Jornal do Commercio
Recife - 03.03.2001
Sábado