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CRISE POLÍTICA
ACM diz que fita reproduzida pela revista IstoÉ é montada

Senador baiano garante ter provas de que a revista “juntou coisas diferentes para não ficar desmoralizada”. A IstoÉ, por sua vez, chegou às bancas ontem com um laudo que comprova a autenticidade da gravação

BRASÍLIA – O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) afirmou ontem que a fita da qual a revista IstoÉ reproduziu os diálogos dele com procuradores da República foi montada. ACM disse que tem como provar que houve a montagem pela forma incoerente e desconexa como a conversa foi divulgada. “Ela (a revista) juntou coisas diferentes para não ficar desmoralizada”, acusou. O senador atribuiu a idéia de fraudar a gravação ao procurador Luiz Francisco de Souza, ao perito em fonética Ricardo Molina de Figueiredo e a um dos jornalistas que assina a reportagem, a quem chamou de “moleque”. “É uma montagem da pior categoria”, afirmou. “Conseqüentemente, não tem valor”. ACM disse que vai desmoralizar a revista, ao comprovar que as afirmações dele são procedentes.

O senador também afirmou que só assinará o requerimento da oposição para criar uma CPI se as investigações atingirem todas as áreas do Governo. Da forma como está, centralizada na suspeita de envolvimento do ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira no desvio de recursos das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, ele afirmou que não apoiará a comissão. “Se a CPI for mais ampla, eu assino”, afirmou.

AUTENTICIDADE – Ontem, a revista IstoÉ chegou às bancas, em edição antecipada, com a manchete ‘Fisgado pela voz’. Na matéria, o perito em fonética Ricardo Molina de Figueiredo confirma a autenticidade da gravação da conversa entre ACM e os procuradores da República.

Segundo a reportagem, na madrugada da sexta-feira (2), o perito Ricardo Molina conseguiu complicar definitivamente a situação política de ACM. “Confirmou a gravação da bombástica conversa entre ACM e seu assessor, com os procuradores”, destaca a revista. “Está claro que não houve nenhum tipo de edição e que as vozes são mesmo dos procuradores, do senador e de seu assessor”, atesta o perito à revista.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.03.2001
Sábado