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CRISE POLÍTICA II
Governo classifica de oportunista proposta da criação de CPI

BRASÍLIA – O Governo classificou ontem como oportunista a decisão dos partidos de oposição em fazer uma aliança com o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) para criar uma CPI com o objetivo de investigar o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira. A maior crítica é em relação à decisão do PT, que desistiu de pedir a cassação de ACM para centrar a munição em Jorge.

“A oposição é oportunista”, atacou o líder do Governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), afirmando que falta coerência nos atos praticados pela esquerda. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, foi além nas críticas. “A oposição quer, de forma oportunista, ter uma arma permanente contra o Governo”, afirmou o ministro.

“Afinal, não existe o caso Eduardo Jorge, mas sim calúnias contra ele”, atacou Ferreira, lembrando que, há oito meses, o Ministério Público (MP) investiga o fato e, até agora, “nada encontrou”.

Segundo uma fonte do Governo, o conteúdo das gravações da conversa entre ACM e os procuradores da República publicado pela IstoÉ não altera em nada a posição do presidente Fernando Henrique. Na semana passada, o presidente havia demitido os ministros da Previdência Social, Waldeck Ornélas, e de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho.

“Como as gravações reforçam o que já havia sido revelado anteriormente, não há motivos para o presidente mudar de atitude”, explica este interlocutor palaciano. Segundo ele, durante os últimos dias, FHC “só teve demonstrações públicas de ACM de que resolveu mudar para oposição”. “Por isso, ACM precisa ser tratado como um oposicionista”, reforçou.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.03.2001
Sábado