por PRISCILA DANTAS
Mais cores ao paraíso ecológico de Fernando de Noronha. Se o lugar já é inacreditavelmente belo por si só, imagine o que novos e coloridos tons podem fazer? O Projeto Cores de Noronha, uma parceria entre o Governo do Estado, Administração da Ilha e Tintas Suvinil vai revitalizar a maioria dos assentamentos urbanos e algumas edificações, que, juntas, somam um total de 25 mil metros quadrados em área.
A iniciativa, mesmo antes de começar, está agradando às famílias e empresários noronhenses. Na maioria dos casos, a renda dos ilhéus não oferece condições para a preservação das fachadas de seus imóveis. Além disso, a empreitada servirá como um forte incremento ao turismo do arquipélago que, hoje, recebe uma média de 450 visitantes por dia.
De acordo com a arquiteta da Administração da Ilha e coordenadora do projeto, Vera Araújo, o Cores de Noronha conta com a participação – diga-se de passagem, gratuita – de 11 arquitetos de renome nacional. Entre eles estão os paulistas Sig Bergamim e Gilberto Eilks, o carioca Cláudio Bernardes, os pernambucanos Mário Baô e Humberto Zírpolli e o baiano David Bastos. Segundo Vera, a região beneficiada pela iniciativa corresponde à extensão territorial que margeia os sete quilômetros da única estrada de Fernando de Noronha, a BR- 363, a menor rodovia do Brasil.
A área, cuja principal característica se restringe ao fluxo constante de turistas, foi dividida em dez subáreas. Cada um dos arquitetos ficou responsável pela definição de cores, bem como o tipo da técnica a ser utilizada durante a pintura das fachadas.
“Eu costumo dizer que Noronha vai mergulhar nas cores. Cerca de dez pintores estão chegando do continente exclusivamente para trabalhar na execução do projeto. Não aproveitamos a mão-de-obra local, porque a maioria da população da ilha trabalha com o turismo, o que para eles é bem mais rentável. Estamos muito esperançosos. Creio que dentro de dois meses e meio tudo esteja concluído”, diz Vera.
Embora o Cores de Noronha só tenha sido oficializado este ano, um primeiro passo foi tomado anteriormente. O núcleo histórico da Vila dos Remédios, uma construção do início do século 18 que, hoje, compreende um conjunto de prédios públicos de serviços e de lazer, passou, de acordo a arquiteta, por um minuncioso estudo. O resultado vai servir de ‘molde’ para o restante das reformas. As pesquisas conseguiram, por exemplo, identificar a pintura original de edificações como a Igreja dos Remédios e o Palácio São Miguel onde, atualmente, funciona a sede da administração do arquipélago. Assim, cada construção poderá ser pintada com a mesma cor do passado.
HISTÓRIA X MODERNIDADE – A preservação com as características originais dos prédios levou Vera Araújo a orientar os arquitetos não só a ouvirem a opinião dos proprietários dos imóveis, como também a respeitarem a história dos bairros. “Cada área possui uma identidade própria, caberá a cada profissional trabalhar em cima dessa premissa”, observa.
O pernambucano Carlos Augusto Lyra, por exemplo, será o responsável pela região do Bosque dos Flamboyants, um bairro que possui em seu centro uma grande praça arborizada, cuja construção data do período militar de 1942. Um outro distrito, a Vila do Trinta, que tem esse nome em homenagem ao quartel do 30º Batalhão de Caçadores, também erguido durante ocupação militar, receberá a colaboração dos arquitetos Mário Baô e Luiza Nogueira, de Pernambuco. No lugar do antigo quartel, funcionam diversos estabelecimentos comerciais e institucionais, entre eles o único supermercado da ilha e a Igreja Presbiteriana de Fernando de Noronha .
Ao baiano David Bastos caberá a responsabilidade de comandar a pintura da região do Porto de Santo Antônio, ponto de atracagem de embarcações desde 1503, quando se deu o descobrimento do arquipélago, por Gonçalo Coelho e Américo Vespúcio. Nessa localidade encontram-se a Associação dos Artistas e Artesãos Noronhenses, o Forte de Santo Antônio, a Capela de São Pedro dos Pescadores, vários pontos comerciais e algumas residências.
Já o paulista Gilberto Eilks dará cara nova ao bairro residencial da Alameda do Boldró. A área, situada num dos trechos mais badalados da ilha, destaca-se por possuir influências americanas em sua arquitetura (os americanos povoaram o local em 1957). Dentre as construções, destacam-se casas pré-moldadas e outras do tipo iglu, cujos telhados se estendem até o chão em suas laterais. O lugar que abrigou os mísseis americanos se divide hoje entre a Usina Termoelétrica Tubarão, a sede do Projeto Tamar e uma estação de tratamento de água. Essa área será de responsabilidade do pernambucano Humberto Zírpolli. Os arquitetos Guilherme Eustáquio (PE), José Goiana (PE), Mônica Vasconcelos (PE) e Cláudio Bernardes (RJ) ficarão com as áreas de Floresta Velha, Vila dos Cabos e Soldados, Morro do Francês e Hotel de Trânsito, respectivamente.