As manias dos motoristas podem aumentar as despesas com a manutenção do veículo e prejudicar a vida útil do motor
por ANA CRISTINA LIMA
Muitas despesas com a manutenção do carro poderiam ser evitadas se não fossem os vícios que as pessoas têm ao dirigir. A estudante universitária Andréia Alves descobriu isso depois que gastou pouco mais de R$ 80 para substituir o disco de embreagem e o platô. “Por uma questão de segurança eu preferia dirigir com o pé na embreagem, mas acabei danificando o carro. Depois disso fui vendo que esse procedimento não iria me livrar de determinadas situações no trânsito”, afirmou a estudante.
O gerente de serviços da Duvel, concessionária Ford, José Bonifácio Lins, fala que “descansar” o pé no pedal da embreagem é o tipo mais comum de vício entre as pessoas que dirigem. “ Esse hábito causa o desgaste prematuro do conjunto de embreagem: disco, platô e colar.”
MÃO NA MARCHA – Outra mania que os motoristas têm é de ficar parado no congestionamento com a marcha engatada na primeira. “Mesmo o carro estando em ponto neutro, o colar da embreagem está em funcionamento”, explica ele.
Nos carros com sistema hidráulico o prejuízo pode ser ainda maior. “O sistema hidráulico, ao contrário do mecânico, trabalha sem folga e não tem como regulá-lo”, ressalta Bonifácio.
Apoiar a mão no câmbio, a princípio, pode não trazer problemas. Mas com o tempo o costume provoca o empeno da alavanca de câmbio, alerta o gerente de serviços da Duvel. Além do mais, o Código Brasileiro de Trânsito determina que o motorista dirija com as duas mãos apoiadas no volante. “Mão no câmbio só para a troca de marchas”, diz Bonifácio.
Ainda sobre o uso do câmbio, também não é aconselhável esticar ou antecipar as trocas de marcha. Isso acarretará prejuízo para a vida útil do motor.
Um vício muito comum às mulheres é manobrar o volante, até o último curso, com o carro parado. “Quando a direção é mecânica isso representa um esforço extremo para o condutor ao mesmo tempo em que se está forçando a caixa de direção”, explica o técnico. Nos automóveis com direção hidráulica, o prejuízo é para a bomba, que vai trabalhar em pressão máxima. “Tal atitude pode provocar vazamento na bomba hidráulica ou a sua perda de pressão”, justifica o gerente de serviços da Duvel. Bonifácio diz que o correto é fazer um pequeno deslocamento no carro enquanto se faz a manobra na direção.
O carro também bebe mais quando se acelera antes de desligá-lo. Nos veículos com injeção eletrônica há o risco de provocar um desgaste prematuro dos bicos injetores. Sair cantando pneus também é uma atitude condenável pelo mesmo motivo.
A pressa é inimiga da perfeição. É também das pessoas que antes de parar o carro, engatam logo a marcha-a-ré. Pelo fato da marcha não ser sincronizada, se faz necessário o acionamento com o carro totalmente parado. Do contrário haverá um desgaste antecipado das engrenagens.
Outro hábito menos freqüente é o de colocar no mesmo chaveiro do carro, uma dezena de chaves. O peso força o cilindro da ignição e se o carro tiver sistema de imobilização (alarme) de fábrica, vai haver interferência.