Vereadores recifenses pretendem apurar as responsabilidades pela não-transferência do passivo da antiga Companhia de Transportes Urbanos para a privatizada Cidade do Recife Transportes
Um grupo de vereadores do Recife encaminha hoje um requerimento pedindo a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as responsabilidades pela não-transferência do passivo da antiga Companhia de Transportes Urbanos (CTU) para a Cidade do Recife Transportes (CRT), empresa privada que ficou com a operação da ex-estatal. “Vamos conseguir instalar a CPI porque temos o apoio da bancada do prefeito”, disse o presidente da Comissão de Transportes da Câmara, Luiz Helvécio (PSDB). Para ser instalada a CPI, o requerimento deve contar com o apoio de 14 vereadores. O grupo que apóia o Governo do PT tem 23 parlamentares.
A lei que estabeleceu a privatização da CTU transferia o passivo da estatal para a concessionária. No entanto, a dívida que a estatal tinha com a previdência, no valor de R$ 44,3 milhões, continua pertencendo à Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), a parte da CTU que continua pública.
O secretário municipal de Serviços Públicos, José Ailton Lima, disse que a dívida não foi transferida por uma decisão interna da administração passada, que passou uma procuração para a CRT pagar a dívida, sem transferir o débito. “A CRT está pagando R$ 28 mil por mês, como a dívida é maior que R$ 40 milhões, a empresa vai passar mais de cem anos para quitar todo o débito”, comentou Lima. A concessão é de 20 anos.
Ontem, o presidente da Cidade do Recife Transportes (CRT), Ronan Pinto, se reuniu com o secretário José Ailton de Lima para comunicar que a empresa não colocará dez trólebus em circulação até dezembro. Pelo que tinha sido acordado com a Prefeitura, esses ônibus deveriam estar rodando até o final deste ano.
Segundo a direção da empresa, a companhia não tem conseguido financiamentos para a aquisição dos veículos. O secretário disse que vai tomar as medidas cabíveis, caso a empresa continue descumprindo o contrato de privatização. A CRT pode perder o contrato de concessão.