![]() |
Aula magna de ética
por JURACY ANDRADE*
A semana passada foi muito construtiva em matéria de ética. Um tal de Carlos Patrocínio, ínclito senador pelo Tocantins, justificou seu parecer pelo arquivamento do processo contra o coleguinha Luiz Otávio (assinou notas frias para abiscoitar financiamento público) com essas singelas palavras: “Seria um precedente muito perigoso. Poderia haver uma enxurrada de processos contra parlamentares”. Tutti buona gente, como se diz na máfia. E o nosso tão moralista xogum nomeou Ney Suassuna para ministro da Integração em troca do arquivamento do processo contra o amigo íntimo Eduardo Jorge.
Estranho é que, logo depois dessa, digamos, aula magna de ética, ele disse coisas que fazem lembrar os velhos tempos em que se fazia de esquerdejoso e defendia interesses nacionais. Antes de viajar para a Europa, reafirmou críticas aos países do clube dos ricos, especialmente aos Estados Unidos, ao falar na OAB sobre os riscos da globalização (infelizmente, só discurso, pois, desde seu primeiro mandato, só tem feito escancarar o País a uma globalização predatória e de mão única, que só interessa aos países desenvolvidos): “Estamos vivendo um momento muito delicado desse processo global, por causa dos acontecimentos de 11 de setembro, que mostram o que já se sabia: por mais forte que seja a potência predominante, e ela é, não pode mandar sozinha. Não funciona”. Mais adiante, falando sobre o G-7/G-8: “Decidem o que? Com que legitimidade? Essa legitimidade está sendo posta em dúvida agora. Não podem mais nem se reunir. Se se reúnem, há protesto na rua”. Mas, vamos deixá-lo usufruir em paz suas mordomias européias. Daqui a um ano, nem mais cafezinho quente Sua Majestade terá. A não ser que resolva ‘adquirir’ um terceiro mandato, que nem Fujimori.
O leitor Roberto Cortez reclama da instalação de um escritório da CIA em São Paulo. É mesmo. De araponga basta os do ex-SNI, hoje com o codinome Abin. Aliás, o SNI/Abin não tem o monopólio da incompetência. A CIA, que criou e armou Bin Laden, não é capaz de saber onde ele está. E o governo americano fica matando todo mundo, em vez de achá-lo, como garantiu que faria. Reclama também do Bunker do Consulado Americano (Rua Gonçalves Maia), que invade a via pública e inferniza ainda mais o trânsito recifense. Em nome do que? Com permissão de quem? Será que não já temos problemas suficientes nesta degradada Mauricéia?
Edelomar (o Deo da Igreja Nova) me manda um texto cujo título é ‘EUA invadem o Brasil e aumentam seu território’. É sobre o acordo firmado entre o Brasil e aquele país para uso da base de lançamento de foguetes de Alcântara; e explica: “Nosso governo entregou parte de nosso território para os USA. Falando assim, pode parecer exagero, mas, na realidade, não há exagero nenhum em afirmar que uma área de aproximadamente 620 quilômetros quadrados do território brasileiro está sob domínio absoluto do governo americano”. É como nos velhos tempos do Canal do Panamá, da base americana do Ibura. Nenhum nativo poderá entrar na área sem autorização e o governo tupiniquim não poderá exercer nenhuma atividade no local sem autorização dos novos senhores. Brazilians, go home! (Congresso está reagindo.) Nada contra arrendar a base a quem quer que seja, mas não nesses termos colonialistas. Fernando 2º abençoou tudo isso. Dá pra acreditar no que ele falou na OAB e repete na Europa? Nunca fez nada pela paz na Terra Santa; agora está até defendendo a criação de um Estado palestino. É que virou moda.
*Juracy Andrade é jornalista (juracy@jc.com.br)
|
|