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SHOW II
Música sertaneja desconhece limites

por JOSÉ TELES

A música ‘sertaneja’ como fenômeno de massas já se aproxima das duas décadas de duração. Por muitos anos, as duplas tinham público certo e sabido, mas as multinacionais do disco não acreditavam que repetissem a dose entre a classe média urbana. Curiosamente, a globalização, ou interdependência cultural, contribuiu para fazer a ponte entre a roça e a cidade grande. No início dos anos 80, nos Estados Unidos, passou-se a usar scanners para se conhecer os discos mais vendidos, a famosa lista das 100 Mais da revista Billboard. Uma surpresa: descobriu-se que o maior vendedor de discos dos EUA nem era Michael Jackson nem Bruce Springsteen, mas um sertanejo moderno chamado Garth Brooks.

As filiais das gravadoras no Brasil passaram a investir nas duplas sertanejas tupiniquins. Na verdade, de sertanejas, hoje em dia, essas duplas só mantêm o costume de terçar vozes e cantar em dois. No mais fazem música romântica, uma espécie de Jovem Guarda atualizada, uma mudança iniciada ainda nos anos 70 com a dupla Milionário & Zé Rico. A massificante exposição na mídia (TV e rádio), as canções de apelo fácil, imagem urbana, fizeram das duplas o sucesso musical mais duradouro das últimas décadas. Acrescente-se a isso um profissionalismo pouco comum ao show business nacional. Zezé di Camargo & Luciano fazem um espetáculo de encher a vista, com o mais avançado equipamento que qualquer artista do país pode-se gabar de possuir. Eles dois, Daniel, Leonardo, Sandy & Junior, oferecem mais do que músicas ao seu numeroso público. Oferecem fantasia, exatamente o que o povo cada vez mais está querendo.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.11.2001
Sábado