O equipamento vai ser utilizado, prioritariamente, para queimar restos mortais de indigentes, que ficam acumulados e comprometem a capacidade do ossuário
Até o fim deste ano, o Cemitério de Santo Amaro terá um incinerador de ossos. O equipamento vai ser utilizado, prioritariamente, para incinerar restos mortais de indigentes, que ficam acumulados e comprometem a capacidade do ossuário. “Esse é um grande problema do Cemitério de Santo Amaro e por isso o projeto começa por ele. No futuro, poderemos estender a ação aos demais”, afirma o secretário de Serviços Públicos do Recife, José Ailton de Lima.
Ele divulgou a notícia ontem, no Dia de Finados, ao participar das homenagens aos mortos em Santo Amaro. José Ailton informa que o assunto está sendo estudado pela Secretaria Municipal de Assuntos Jurídicos. “Ainda vamos definir o tempo legal para fazer a incineração e organizar o processo juridicamente para evitar qualquer tipo de problema”, explica. Como o terreno do cemitério está saturado, em alguns locais os corpos enterrados em cova rasa levam mais de dois anos para se decompor.
O incinerador também poderá ser utilizado pela população em geral, mediante pagamento de uma taxa ao município. O valor ainda não está definido. Segundo José Ailton, um equipamento desse custa pouco mais de R$ 100 mil e, provavelmente, será comprado na cidade de São Paulo. Ele informa que a aquisição do incinerador de ossos faz parte de um projeto maior, de melhoria e organização dos cemitérios públicos.
Ainda em Santo Amaro, a Prefeitura do Recife vai iniciar o recadastramento de todos os sepultamentos e chamar os concessionários para saber do interesse de cada um na manutenção e organização dos espaços. Com 14,5 hectares e 150 anos completados em março, o cemitério tem 1.409 jazigos, 1.886 túmulos, 1.993 catacumbas, 2.279 gavetas e 8.988 covas. Além desses, que são particulares, há 2.042 catacumbas e 5.250 jazigos pertencentes ao município.
“Organizar Santo Amaro é um dos grandes desafios da Secretaria de Serviços Públicos. Nós não encontramos o cadastro dos sepultamentos, que já havia sido feito, e temos problemas sérios com roubos de ossos”, destaca José Ailton. Ele disse que estudantes de Medicina costumam comprar ossos irregularmente para trabalhos acadêmicos. “Pretendemos fazer um convênio com as universidades para evitar essa prática. Poderemos contribuir com a ciência, mas de uma forma legal.”
Outra vertente do projeto de ordenamento dos cemitérios está relacionada ao comércio de túmulos. José Ailton esclarece que túmulo é concessão municipal, e o concessionário não pode vender o espaço a terceiros. “Quem não tiver interesse em mantê-lo deve devolver a concessão à prefeitura.” A Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) avisa que ossos não procurados num prazo de dois anos e dois dias serão incinerados, como prevê a legislação.