Segundo a Vigilância Sanitária, moradores do Conjunto Marcos Freire podem contrair doenças, como diarréia e leptospirose, por causa da desativação do sistema de esgoto
As irregularidades no sistema de esgoto do Conjunto Residencial Marcos Freire foram observadas em um relatório técnico da Diretoria de Vigilância Sanitária de Jaboatão dos Guararapes, realizado em junho de 2000, a pedido da comissão que representa a comunidade. No laudo, a vigilância informa que o sistema de coleta e tratamento de esgoto, inativado há vários anos, representa risco à saúde da população, devido aos dejetos que são despejados nos córregos, pequenos lagos e até nas ruas, contaminando o meio ambiente. Segundo o relatório, a sujeira estaria servindo para proliferação de ratos e insetos e deixando os moradores expostos a contrair doenças relacionadas diretamente à falta de saneamento básico, como diarréia, leptospirose, verminoses, filariose e cólera.
“Minha filha, de 12 anos, sofre constantemente de alergia por causa dos mosquitos e muriçocas”, reclama a dona de casa Eliane Maria dos Santos, moradora do Bloco 32 de Marcos Freire. Os riscos, no entanto, não se resumem apenas aos moradores do conjunto residencial. Boa parte da comunidade que vive em volta dos prédios, em loteamentos e invasões, também sofre com o problema do esgoto.
“A água só não me atinge porque eu aterrei uma parte do córrego que passa com os dejetos do esgoto desse conjunto. Mas todo mundo se sente mal com uma coisa dessas”, garante o aposentado Luiz Barbosa da Silva. A residência dele fica ao lado de um dos pontos de despejo das águas provenientes de banhos, lavagens domésticas e dejetos de Marcos Freire. “Já teve vezes que o entupimento do esgoto fez com que as fezes caíssem na caixa d’água, poluindo toda água de alguns prédios”, diz o presidente da Comissão de Defesa e Direitos dos Moradores do Conjunto Marcos Freire, Inaldo Alves de França.