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CRISE
Pacote argentino repercute mal, bolsa cai e risco do país sobe

Analistas financeiros observam que brigas internas e necessidade de acordo com governadores das províncias podem atrapalhar novo ajuste na Argentina

BUENOS AIRES – Os mercados reagiram ontem com uma mistura de desagrado e de compasso de espera de mais detalhes sobre o anúncio da reestruturação da dívida pública argentina. A Bolsa de Buenos Aires fechou em queda de 2,84%. A taxa de risco do país passou de 2.295 pontos para 2.446 pontos. No início da jornada, chegou a 2.505 pontos, ultrapassando o recorde histórico de março de 1995, de 2.456 pontos.

No fim da noite de quinta-feira o presidente Fernando De la Rúa anunciou o pacote econômico que inclui um polêmico anúncio de reestruturação da dívida pública, com a qual o governo pretende economizar US$ 4 bilhões no pagamento de juros no ano que vem. Segundo De la Rúa, o peso dos juros não estava deixando o país crescer.

Por esse motivo, afirmou que o governo está organizando uma reestruturação da dívida, na qual os novos bônus não poderiam ter juros superiores 7%. Em média, atualmente os bônus possuem taxas de 11%. Nos dois primeiros anos haveria um período de carência, no qual não seriam pagos os juros.

Os novos bônus terão como garantia parte da arrecadação tributária que o governo dispor, além de ativos públicos. Os atuais bônus não possuem este tipo de garantia. A operação, segundo o ministro da Economia, Domingo Cavallo, pretende englobar 100% da dívida pública argentina, de um total de US$ 132 bilhões. Deste total, US$ 92 bilhões estão em bônus. Cavallo admitiu que até que o país não faça a reestruturação interna a Argentina não receberá ajudas adicionais do FMI e de outros organismos financeiros.

Em Buenos Aires, os analistas consideram que se não ocorrer uma corrida aos depósitos e se o governo conseguir um acordo financeiro com os governadores das províncias, a situação financeira argentina poderia entrar nos trilhos e seria afastado o risco de default. Enquanto isso, o sistema financeiro argentino espera detalhes de como o governo pretende implementar esta reestruturação. Os banqueiros argentinos não emitiram comunicados ao longo do dia de hoje, o que foi interpretado como uma silenciosa crítica à reestruturação da dívida. O presidente da União Industrial Argentina (UIA), Ignacio De Mendiguren, afirmou que se estas medidas econômicas tivessem sido aplicadas há dois anos, 100 mil pequenas e médias empresas não teriam falido.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.11.2001
Sábado