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CRISE II
Para Brasil, medidas do pacote argentino não devem agradar

BRASÍLIA - Integrantes do governo federal avaliam que o mercado não deverá receber bem o pacote de medidas anunciado pelo governo argentino para reativar a sua economia e resolver seus problemas financeiros.

Para esses técnicos, a arrecadação tributária não é garantia suficiente para que os investidores aceitem a troca de títulos proposta pela Argentina. A única garantia viável seria o aval de países ou de organismos internacionais. A decisão argentina de oferecer um teto de juros de 7% ao ano para trocar os títulos de sua dívida chegou a ser como moratória qualificada por um dos técnicos.

Procurado por sua assessoria de imprensa, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, não quis comentar o pacote. A área diplomática do governo acredita que o mercado não deverá receber bem a solução proposta pela Argentina, para alongar a sua dívida, por tratar-se de uma reestruturação unilateral.

Na percepção de integrantes do Ministério do Desenvolvimento, mesmo que o mercado receba o anúncio do Governo argentino como moratória, o Governo brasileiro não acredita que possa haver pressão sobre o câmbio local. No entanto, alguns técnicos avaliam que a reação do mercado é imprevisível. Por isso, não está descartada a possibilidade de o pacote argentino levar o mercado, que tende a avaliar os países da região sem distinção, a retirar investimentos do Brasil.

Outra possibilidade, bem mais otimista, é que o mercado separe de vez sua avaliação da Argentina e do Brasil. Nesse caso, o Brasil poderia até receber investimentos que estão no país vizinho. Especialistas da área de comércio tendem a acreditar mais na segunda hipótese.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.11.2001
Sábado