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RACIONAMENTO
Feriado derruba consumo de energia

Balanço parcial da Chesf mostra que dia parado fez Pernambuco superar a meta de 20% de corte de energia. Muita gente aproveitou o feriado para ir aos supermercados

O Dia de Finados marcou, no Recife, o segundo feriado do racionamento de energia instituído pelo Governo Federal para o Nordeste. Em Pernambuco, onde a folga de 2 é trocada pela de Nossa Senhora da Conceição (8 de dezembro), o Governo do Estado propôs e a Câmara de Gestão da Crise de Energia aprovou a transferência do último feriado extra, de 26 de novembro, para ontem. A medida provocou redução de consumo da ordem de 22% no Estado, segundo dados parciais da Chesf, até as 17h de ontem.

Apesar da semelhança com o primeiro recesso, do dia 22 de outubro, a movimentação nas ruas foi um pouco diferente. Nas praias, apesar da grande movimentação, os comerciantes reclamaram da diminuição de vendas de artigos como cerveja, em comparação ao primeiro feriado. Nos shoppings, a clientela das áreas de diversão e restaurantes foi pouca. Quem lucrou mesmo foram os supermercados, com grande movimentação.

“O outro feriado foi melhor. Vendi cinco grades de cerveja da outra vez e agora, se passar de três me dou por satisfeito. Tem menos gente na praia”, disse o barraqueiro, José Pereira da Silva. “Acho que está todo mundo no cemitério hoje.”

Quem curtiu mesmo foram os banhistas, apesar de a maioria não concordar com o dia de descanso ‘forçado’. “Trabalho no comércio, perco dinheiro inclusive no sábado, já que o comércio não recupera o pique, pois muitas pessoas estão viajando”, comentou o vendendor da Antarctica Gustavo Tavares. A supervisora da concecionária Fiori, Maria Helena Amorim, também reclamou do dia parado. “Ganho por comissão, mas o feriado é bom para me dedicar aos meus filhos e aos estudos.”

Em ambiente fechado quem faturou mesmo foram os supermercados. O Hiper de Boa Viagem estava repleto de clientes. Tanta gente que até assustou quem queria um ritmo de compras mais sossegado. “Achei que seria mais tranqüilo fazer feira no feriado”, constatou o funcionário público Mauro do Vale, sem perder a oportunidade de bater no Governo: “O recesso do racionamento prejudica a economia do País e ao trabalhador.”

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Jornal do Commercio
Recife - 03.11.2001
Sábado