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Complexo Tacaruna

A velha Fábrica da Tacaruna, que já conheceu dias bem melhores que os de hoje, como uma das pioneiras indústrias de tecelagem implantadas em Pernambuco na virada do século 19 para o 20, vai voltar a seu tempo de beleza e glória quando for concretizado o Complexo Cultural Tacaruna, cujo estudo preliminar foi apresentado ao empresariado pernambucano na última reunião do Pacto 21. O secretário de Educação e Cultura do Estado, Raul Henry, e o presidente da Fundarpe, Romero Pereira, explicaram que a proposta é ambiciosa e não se limita à restauração e reaproveitamento do conjunto arquitetônico das construções onde funcionou a fábrica. Inclui em sua previsão o Centro de Convenções, o Classic Hall, o Shopping Tacaruna, a atualmente degradada faixa litorânea pertencente à Marinha e, quem sabe, a versão pernambucana do Museu Guggenheim. Esse amplo espaço será dotado de hotel, centro para exposições de arte, auditórios, restaurantes, livrarias, biblioteca, lojas de artesanato, núcleo de formação de produtores culturais.

Excelente notícia para quem mora em Olinda, no Grande Recife e adjacências, como também para o incremento ao turismo, sobretudo cultural, no Estado. A restauração de edificações antigas, monumentos artísticos e culturais em geral, e a busca para elas de novas destinações, já tomaram conta das pautas e preocupações, tanto da sociedade brasileira como das autoridades governamentais. Demorou, mas chegamos lá. Até começos do século passado, a preservação do nosso patrimônio histórico não ocupava muito as atenções públicas e privadas. Muitas obras históricas foram simplesmente demolidas para abrir espaço à intensificação do trânsito, à entrada em cena do automóvel; como se progresso fosse incompatível com preservação da memória nacional, da história. Documentos históricos também foram deixados às traças e cupins, por negligência ou para apagar propositalmente a parte suja da memória nacional, como a escravidão.

Hoje isso mudou muito, embora ainda se deixe ao abandono muita riqueza histórica e cultural. É o caso de velhas igrejas e outras construções, sobretudo no interior; santos barrocos que fazem a alegria de colecionadores, em vez de continuarem com sua finalidade de decorar templos, de servir à sociedade. Mas quase toda cidade de maior porte tem seu instituto histórico, o que contribui para uma maior divulgação dos princípios e práticas de proteção e preservação do nosso patrimônio; e tanto comunidades como autoridades estão mais atentas para evitar danos e roubos. Aqui temos o vitorioso projeto de restauração do Recife Antigo. Outros bairros tradicionais, como os de São José, Santo Antônio e Boa Vista, também estão na mira das autoridades e comunidades, no sentido de conservar e melhorar o que tem valor histórico e cultural. Olinda foi escolhida, pela Unesco, como Patrimônio da Humanidade e luta por preservar seu acervo cultural.

Agora, temos a alegria de ver retomado um projeto já acalentado desde a gestão do jornalista Carlos Garcia à frente da Secretaria de Cultura, hoje fundida com a de Educação. Com propriedade, o empresário João Carlos Paes Mendonça, presidente do Grupo JCPM, no qual se inclui o Sistema JC de Comunicação, define esse projeto como “extremamente importante para o desenvolvimento da cultura em Pernambuco, promovendo o equilíbrio entre o Recife e a zona norte da RMR”. O advogado José Paulo Cavalcanti Filho vê o projeto como abrangente e plural, “percebendo democraticamente a cultura e sua relação com outras áreas, como o turismo e a economia”. Ele ressalta ainda que não se trata de um projeto acabado, mas aberto ao debate, que foi divulgado como estudo preliminar.


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Jornal do Commercio
Recife - 02.11.2001
Sexta-Feira