![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Adegas passam a fazer parte dos apartamentos da classe média
A paixão do brasileiro pelo vinho é coisa recente, pode-se dizer que tão recente quanto a glamourização da alta gastronomia. Hoje, é podre de chique dizer-se chef de cozinha, sugerir ser um grande gourmet e insinuar que sabe muito sobre vinhos. A assimilação entre comidas e bebidas finas virou quase uma obrigatoriedade para quem quer, não apenas ostentar ascenção social, mas – e principalmente – mostrar que o nível de refinamento acompanhou o volume da carteira.
Antigamente, ao se planejar os espaços de uma casa, era pouco provável que num apartamento de classe média tivesse um lugar especial reservado para guardar os vinhos, a chamada adega. Isso era coisa de filme de Zorro ou qualquer outro estrelado pelo chiquérrimo David Niven.
Desde o ano passado, o projeto Casa Cor, que reúne propostas de decoração e arquitetura para 54 ambientes, reserva um nicho especial para a adega. Este ano, quem assina o projeto são as arquitetas Ana Patrícia Teixeira, Fernanda Ventura e Márcia Azevedo.
O grande ponto marcado pelo trio de profissionais foi ter admitido a interdisciplinaridade que um projeto desses requer, ou seja, não há como se pensar num ambiente que, primeiramente, deve atender às necessidade de uma bebida exigente como o vinho sem consultar quem entende do riscado. No caso, o consultor que respondeu sobre as necessidades básicas para o conforto do vinho foi o enólogo Pedro Ernesto.
“Tranqüilidade, umidade e ausência de luminosidade”, foi o que, segundo a arquiteta Fernanda Ventura, recitou o enólogo. A partir daí, as três debruçaram-se sobre a prancheta para conseguir viabilizar uma idéia que conjugasse beleza, conforto e funcionalidade, tendo sempre o vinho como o ‘cliente especial’.
ABRIGO – Duas coisas chamam atenção na adega da Casa Cor: a sua aparência ‘normal’, querendo dizer com isso que ela poderia estar bem em qualquer apartamento de três cômodos e um móvel chocante, desenhado pelas próprias arquitetas, que simboliza, ao mesmo tempo, aproveitamento de espaço, discrição e armazenagem adequada para a bebida.
“Quem dispensa a luz é o vinho e não quem vai bebê-lo. Por isso, pensamos num móvel que guardasse as garrafas em completa escuridão, com a inclinação ideal de 15 graus, que só precisasse ser aberto quando a situação exigisse”, explica Márcia Azevedo.
A solução encontrada foi realmente muito prática. Este tipo de garrafeira foi confeccionado em madeira pintada de preto e os suportes foram feitos com arame. Logo abaixo do móvel está uma adega climatizada, um sonho de consumo para poucos com seu custo estimado de R$ 25 mil. Um equipamento que mantém a temperatura constante e ideal.
Casa Cor – Av. 17 de Agosto, 1893, Casa Forte, das 15h30 às 23h30. Preço: R$ 10 ou R$ 8 (para crianças, idosos e grupos de 10 pessoas). Fone: 3442.6083.
|
|