Existem vários tipos da doença mas poucas pessoas sabem dessa diversidade. A anemia pode ser classificada em dois grupos: as hereditárias e as adquiridas
por LUCIANA TEIXEIRA
Palidez, cansaço, olhos amarelados, indisposição e fraqueza. Esses são alguns dos sintomas característicos das anemias. Isso mesmo, anemias no plural. Na verdade, existem vários tipos dessa doença mas poucas pessoas sabem dessa diversidade. Elas podem ser classificadas em dois grupos: as hereditárias e as adquiridas. Nas hereditárias são mais encontradas as anemias falsiforme e a talassalia. Já nas adquiridas, a deficiência de ferro, vitamina B12 e ácido fólico são mais comuns.
O que determina a anemia é o nível de hemoglobina que cada pessoa tem, relacionado com sua idade e seu sexo. “Uma mulher adulta, por exemplo, para estar com seu nível normal, tem que ter de 12g/dL a 16g/dL de glóbulos vermelhos no sangue. Qualquer valor abaixo pode ser considerado como suspeita de processo anêmico”, esclarece o hematologista e diretor-presidente da Fundação Hemope, Aderson Araújo.
A carência de ferro é muito comum entre crianças e mulheres. O crescimento rápido e a alimentação inadequada são as maiores causas da perda dessa substância na infância. Verminoses também contribuem para que a quantidade de ferro no corpo diminua. “Embora o leite materno seja rico em ferro, as crianças passam um maior tempo se alimentando de outros tipos de leite que são pobres dessa substância”, explica o hematologista.
VULNERÁVEIS – Para as mulheres, a menstruação é um fato importante na deficiência de ferro. “Como 82% do ferro que nós temos no corpo circula no sangue, quando há alguma perda significativa, reflete diretamente na quantidade de ferro que possuímos”, afirma Dr. Aderson. A má alimentação é outro aspecto de relevância, principalmente para as adolescentes. A “mania” de ficar cada vez mais magra pode causar uma diminuição de ferro no corpo.
Já nos homens, o tubo digestivo é o principal foco para a aparição desse tipo de anemia. Na maioria, os casos surgem de forma oculta e se torna necessário fazer um exame mais detalhado para diagnosticar a doença. A pesquisa de sangue oculto pelas fezes é o exame feito para se descobrir a existência ou não da perda de ferro.
Esse tipo de anemia se instala lentamente no corpo. O que gera alguns problemas para ser diagnosticada de imediato. “No corpo há uma série de depósitos de ferro que vão sendo esvaziados progressivamente”, diz o hematologista. É necessário colher a história clínica de cada paciente para dar o diagnóstico correto e orientar o tratamento mais adequado que será à base de medicamentos com ferro.
A deficiência de vitamina B12 e ácido fólico é outro tipo de anemia freqüente no Brasil. Pessoas com problemas gástricos ou no intestino delgado são as mais propícias para ter esse tipo de doença. Na infância é difícil ocorrer devido ao tipo de alimentação nessa fase da vida. “Nesse caso o leite contribue bastante para que as crianças não tenham esse tipo de anemia”, comenta Aderson.
Os idosos costumam apresentar essa carência de vitamina. A alimentação inadequada é a principal causa da doença. “Boa parte dos idosos ficam muito sós, conseqüentemente, esquecem de fazer boas refeições”, lembra o hematologista. Nos últimos anos, esse problema tem diminuído por causa das medicações tomadas por pessoas mais velhas. Esses remédios que têm uma grande quantidade de vitamina B12 e ácido fólico.
DE PAI PARA FILHO – A anemia falsiforme é típica da raça negra mas, no Brasil, por causa da miscigenação dos povos, pode ser encontrada em qualquer pessoa. O diagnóstico tem que ser rápido, se possível quando a criança nasce, ainda no exame do pezinho.
Esse tipo de anemia é provocado por um defeito na qualidade da hemoglobina e não tem cura. A solução para melhorar a qualidade de vida desses pacientes é a vacinação à base de pneumococos e hemófilos. Tomar diariamente medicamentos via oral ou injetável compostos por ácido fólico e penicilina também ajudam no tratamento.
Já a talassalia é provocada por um defeito na fabricação da hemoglobina: são produzidas poucos glóbulos vermelhos. Geralmente, quem possui esse tipo de anemia tem que tomar transfusão de sangue a cada quatro semanas, a partir dos três meses de idade. “Nem todos os casos ocorridos em Pernambuco são necessários fazer a transfusão.
No Sudeste, “a talassemia se apresenta de forma mais grave”, declara Dr. Aderson. Quando esse tipo de anemia se apresenta de forma mais leve, ela pode ser confundida com a deficiência de ferro, mas as taxas comprovam que essa substância encontra-se em quantidade normal no corpo.