O que é o linfoma?
A maioria dos tipos de câncer é conhecida pela parte do corpo afetada, ou seja, onde o câncer normalmente inicia o seu desenvolvimento. Os linfomas se desenvolvem nos tecidos linfóides. O tecido linfóide (às vezes chamado de linfático) inclui os nódulos linfáticos e outros órgãos que são partes do sistema que forma o sangue e o protege contra infecções. Outros tipos de câncer podem se desenvolver em outros órgãos e depois espalhar-se para o tecido linfóide, mas não são linfomas.
Os dois tipos de linfomas mais predominantes em crianças são o linfoma de Hodgkin ou doença de Hodgkin (mais freqüente em adolescentes) e o linfoma não Hodgkin (LNH), mais freqüente em crianças mais jovens. Conforme dados americanos, do National Cancer Institute, aproximadamente 15% das neoplasias em crianças até 19 anos são linfomas, representando o terceiro tipo de câncer mais freqüente na infância e adolescência.
O sistema imunológico está composto, na maioria, de tecido linfóide. Esse tecido consiste de diversos tipos de células que trabalham juntas para resistir a infecções. Linfonodos (conhecidos também como glândulas linfáticas) são órgãos pequenos, do formato de um grão de feijão, encontrados em diversos lugares do corpo. Os linfonodos estocam células brancas para lutar contra as infecções. Os vasos linfáticos, tubos estreitos parecidos com vasos sanguíneos conectam os linfonodos. Esses vasos carregam um fluido claro que contém dejetos e células brancas. O sistema linfático é composto de outros órgãos, tais como: baço, timo, adenóide, amígdalas e medula óssea. Tecido linfático pode ser encontrado, também, dentro de outros sistemas do corpo como os sistemas digestivo e respiratório.
Os LNH são muito diferentes da doença de Hodgkin na maneira do seu desenvolvimento e forma de metástase, bem como no protocolo de tratamento. Neste artigo, a informação refere ao LNH, o tipo que atinge crianças mais jovens, normalmente nas idades de 5 a 15 anos de idade.
Quais são os principais sintomas?
Os sinais e sintomas variam dependendo da localização do tumor. Se o linfoma está nos linfonodos próximos à superfície do corpo (no lado do pescoço, na axila, acima da clavícula, ou na virilha, por exemplo), haverá uma inchação nesta área. Usualmente a própria criança ou os pais percebem. Se o tumor está localizado no abdômen, a área vai ficar muito inchada, parecendo até com uma gravidez. Quando o câncer ataca o tecido linfático perto dos rins ou do intestino, a passagem da urina ou fezes nestas áreas pode ficar bloqueada, causando dor abdominal. Quando o tumor está localizado no timo ou linfonodos dentro da parte superior do tórax, pode criar pressão na traquéia. Isso pode causar tosse, falta de ar ou até sufocação. A pressão na veia cava superior, que passa perto do timo, pode fazer com que a cabeça, o braço e a parte superior do tórax fiquem com a cor vermelho-azulado. Isso é conhecido como a síndrome da veia cava superior, e pode afetar o cérebro e ameaçar a vida da criança. Caso esta condição ocorra, a criança necessita de atendimento imediato. Além desses efeitos causados pelo crescimento do câncer, há sintomas mais gerais como febre, calafrios e sudoreses, especialmente à noite. O linfoma em criança é difícil de diagnosticar, uma vez que a inchação das glândulas linfáticas, causada por infecção, é bastante comum. De fato, não há muito perigo ou razão para preocupação, a menos que os linfonodos aumentem mais do que 2,5 a 5,0 centímetros do tamanho normal. Mesmo nessa situação, o médico pode prescrever duas semanas de antibiótico antes de decidir fazer mais testes de diagnóstico.
Todos os linfomas LNH são idênticos?
Não. Existem nas crianças três tipos de linfoma: o linfoblástico (30% dos casos) é mais comum em adolescentes e duas vezes mais freqüente em meninos do que em meninas. Esse tipo tende a crescer rapidamente e espalhar para a medula óssea, outros linfonodos, a superfície do cérebro e membranas ao redor do coração. Há o de células pequenas ou de Burkitt (40% dos casos), um dos tipos de câncer com o crescimento mais rápido. Ele pode se espalhar para muitos órgãos, incluindo a superfície do cérebro ou o interior do cérebro. O de células grandes (um pouco menos de um terço dos casos) pode se desenvolver no tecido linfóide do pescoço, perto do timo, garganta ou abdômen. Pode se espalhar precocemente para a pele ou tecidos debaixo da pele. Diferentemente dos outros dois tipos, raramente espalha-se para o cérebro ou medula óssea.
Qual é a causa do linfoma?
A causa específica ainda continua um mistério, mas há uma associação conhecida com certos fatores de risco. São eles: doenças genéticas – algumas dessas doenças atacam o sistema imunológico da criança sujeitando-as a infecções mais sérias; crianças tratadas com radioterapia para outros tipos de câncer têm um risco maior para adquirir o linfoma posteriormente; algumas das drogas utilizadas para tratar outros tipos de câncer podem aumentar o risco para leucemia e LNH cinco a 10 anos mais tarde; pessoas que realizaram transplante de órgãos (rim, coração, fígado) são tratadas com drogas que desativam o sistema imunológico para prevenir rejeição. Esse processo pode aumentar o risco para adquirir o linfoma. Outra causa é infecção com o vírus da Aids (HIV).
Qual é o tratamento para o linfoma?
Os tratamentos principais de LNH são quimioterapia, radioterapia, cirurgia, e, em alguns casos, transplante de medula e transplante periférico de células sanguíneas germinais. O tratamento geral para todos os três tipos é a quimioterapia. A radioterapia, hoje, é pouco utilizada, a não ser nos casos em que haja pressão sobre a traquéia ou medula espinhal. A cirurgia pode ser utilizada para obter amostra para biópsia ou livrar um bloqueio intestinal. O tratamento de transplante é normalmente utilizado nos casos em que a terapia não está respondendo e o paciente está piorando, tanto durante ou após o tratamento inicial.
O que fazer depois do tratamento?
O importante é fazer exames regulares durante vários anos após o tratamento. O médico pode avaliar o estado da doença além de verificar o possível surgimento de efeitos colaterais posterior ao tratamento original. Não é normal o LNH reaparecer se não houver sinal da doença depois de um ano posterior ao tratamento.
Fonte
American Cancer Society -Cancer Reference Information http://www.cancer.org/eprise e SEER Pediatric Monograph http://www.seer.cancer.gov/Publications
Departamento de Controle e Prevenção:
Dr. Jaime de Queiroz Lima, médico-chefe do Departamento
James Anthony Falk, Ph.D., assessor do Grupo de Pesquisa
Dr. Carlos Leite, médico colaborador do DCP
Contato: (81) 3423.2088 ramal 188 - Isabel Melo/Jacqueline Tavares
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