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PEDIATRIA II
O aparelho não é mais bicho-papão

Com materiais mais atraentes e discretos, os aparelhos dentários são hoje até disputados por crianças e adolescentes. É preciso, porém, estar atento aos tratamentos

Há alguns anos, o tratamento com aparelhos ortodônticos era considerado um luxo para poucos, além de representar, muitas vezes, uma espécie de ‘constrangimento’ visto nas crianças e adolescentes de ‘sorriso metálico’. Hoje os aparelhos se modernizaram, ficaram mais discretos e, boa notícia, os tratamentos tornaram-se mais baratos. O ‘arsenal’ de anéis, tubos, braquetes, fios e elásticos coloridos são, hoje, objetos do desejo de muitos jovens. O barateamento e a facilidade de acesso aos tratamentos, porém, pode ser perigosa. “Antes de iniciar qualquer tratamento, é preciso ter certeza da competência do profissional”, alerta a ortodontista Fabiana Godoy.

De acordo com a professora titular de odontopediatria da Universidade de Pernambuco (UPE), Aronita Rosemblat, “É importante ter cuidado com o mercado atual, que está saturado com cursos rápidos de ortodontia. Nem sempre os profissionais estão bem preparados”, diz. Uma dica: antes de começar o tratamento, procure referências sobre o profissional e tenha a certeza de que ele está cadastrado na Sociedade Brasileira de Odontologia.

Segundo os profissionais, a maioria dos clientes que procuram tratamentos ortodônticos é formada por crianças e adolescentes com preocupações estéticas, levados, na maioria das vezes, pelas pelas mães ou encaminhados por dentistas. Mas nem sempre os tratamentos estão ligados à questão de saúde, e sim de estética. “É necessário alertar para a imposição do atual padrão de beleza, que é muito rígido”, diz Aronita.

Para Sandra Fausta, hoje se consegue interceptar e diagnosticar bem mais cedo as más oclusões (quando os dentes estão desalinhados) por conta da evolução dos recursos tecnológicos na área ortodôntica. Ao mesmo tempo, os problemas estão ocorrendo em maior quantidade. Para ela, a necessidade de usar aparelho cada vez mais cedo vem está baseada em questões como a não-estimulação da amamentação e a alimentação muito pastosa, industrializada e pobre em fibras, que prejudicam a mastigação. Outro problema é o uso precoce de mamadeiras e chupetas. Há também os casos genéticos, nos quais o uso do aparelho ortodôntico é recomendado e não pode ser evitado. Para esses pacientes, Fabiana Godoy ensina os cuidados básicos com o aparelho: “É importante conversar com o ortodontista sobre as formas diferenciadas de higienização, ir ao consultório regularmente e, no caso dos aparelhos extra-orais, respeitar a freqüência de uso. Também é importante ter cuidado para não perder as peças e evitar ingerir determinados alimentos muito duros ou pegajosos (maçã inteira, chiclete, caramelo ou bombons muito duros) que podem folgar os anéis ou até quebrar o aparelho”.

Serviço

Fabiana Godoy - F.:3325.3480

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Jornal do Commercio
Recife - 28.10.2001
Domingo