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APRENDIZADO II
Tradição autoditada é passada de pai para filho

Há quem garanta que autodidatismo vem de berço. O estudante do primeiro ano científico Rodrigo Costa Mateus, 15 anos, comprova essa tese. Ele foi apresentado aos computadores quando tinha apenas quatro anos. “Meu pai levou um PC para casa e colocou uns joguinhos para mim.” Tudo em DOS, claro. Mas Rodrigo não se deixou intimidar. Não só aprendeu a jogar, como a ligar e acessar os aplicativos que tanto o divertiam. “Observei meu pai fazendo para não ter que pedir a ajuda dele todas as vezes que quisesse brincar.”

Depois, foi aprendendo outros comandos e em pouco tempo já fazia de tudo: criar arquivos, copiar, salvar, etc. Em 95, o pai comprou um PC com o Windows 95 instalado e, como ninguém sabia mesmo mexer na máquina, ele se habilitou a ser a cobaia. Sentou-se na frente do PC e passou dias ‘desbravando’ o sistema. Conseguiu, claro.

Mas foi com a popularização da Web que Rodrigo conquistou o aliado que faltava e também muitos outros desafios, que garantiram – e ainda garantem – horas de diversão initerruptas. Para ajudar uma vizinha não muito adepta do autodidatismo, Rodrigo aprendeu a usar HMTL e a fazer páginas de Internet. Como? Na ‘munheca’ mesmo. “Copiava os códigos-fonte das páginas e ficava testando cada linha para saber sua utilidade”, conta Rodrigo, que adotou método parecido para se familiarizar com Java e Flash.

Proprietário de um Pentium III 500 MHz, ele já começou a economizar a mesada para comprar um PC mais possante, que será seu companheiro por outras jornadas exploratórias. “Acho que é possível aprender tudo sozinho”, afirma o estudante, que pretende estudar mecatrônica e garante que nunca deixará de recorrer à Web (mais precisamente, ao sistema de buscas Google) quando surgir uma dúvida ou bater uma crise de curiosidade.

Apesar de tanta autonomia, Rodrigo acabou ganhando um companheiro, com quem passou a dividir suas conquistas e deveres, inclusive o de ensinar Informática ao pai, que ele define como muito “dependente” . Trata-se de seu irmão mais novo, Rodolfo, que também está se entregando de cabeça às maravilhas do mundo digital. No fim de semana, a dupla não desgruda do micro. “Sento na frente do computador às 18h do sábado e só saio de madrugada. No domingo, acordo bem cedo e volto para o PC, de onde só levanto à tarde”, conta Rodrigo. Haja autodidatismo.

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Jornal do Commercio
Recife - 31.10.2001
Quarta-feira