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Lance Livre
Fernando Menezes

Com Romário ou sem ele?

A velhíssima discussão está de volta: Romário deve ou não ser convocado? A pergunta está condicionada, naturalmente, ao nosso péssimo desempenho no ataque. Sofremos de uma incapacidade crônica de marcar gols, desde que Ronaldinho do Inter se machucou. Romário é um matador, sim, é mesmo, se a bola chegar e ele dominá-la, o gol é certo. Mas já não rende como antes, joga parado e esperando que alguém o sirva ou a defesa contrária marque bobeira. Para um atacante de seleção é pouco, mas ocorre que não temos um matador, os que têm fôlego não mostraram talento, ou o tal faro de gol, característica que Romário, apesar da lentidão não perdeu ainda. A questão é que o nome de Romário mete medo e assim mesmo as defesas mais frágeis se cuidam demais, há sempre um ou dois vigiando o baixinho. Das últimas vezes em que ele esteve na seleção não fez o que dele se esperava, exatamente porque ficou vigiado demais.

Um outro aspecto da discussão é o choque de personalidades. Felipão é mandão e Romário é abusado, e sobretudo mal-acostumado. A imprensa carioca o mimou demais, mais até do que teria feito a Lúcia Helena, da publicidade. E assim ele estraga uma relação só para não perder uma frase, só para desfrutar de uma tirada arrogante. Como jogador, Romário é um dos poucos craques ainda em atividade. Vejam que não estou falando de bom jogador, hábil e coisa e tal, estou falando de craque, que é outra coisa, cada dia mais rara. Avesso aos treinamentos, amante desvairado da bola por puro prazer, do futevôlei à pelada de praia, Romário não se submete aos rigores exigidos pelo treinamento moderno. Joga com o nome e certamente com os gols que faz por instinto e competência, hoje mais pelo instinto. Nestes tempos de vacas magras ele poderia perfeitamente ser nome certo ao menos para os dois últimos jogos das Eliminatórias, mas Felipão se conhece mais do que ninguém. Desconversa e não chama Romário, prefere não se submeter a uma trombada que quase certamente ocorreria, aliás Romário já andou beliscando Felipão. Por tudo isso ficaremos sem o faro do baixinho e com a incerteza de nosso estropiado ataque.

Em resumo, em outras circunstâncias eu não cogitava de Romário, mas nos dias de hoje ele, parado, é melhor do que os onze voando!

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Jornal do Commercio
Recife - 03.11.2001
Sábado