Ao discursar durante jantar oferecido ao ministro José Serra, tucano fez ressalvas à atuação dos partidos aliados. As críticas também sobraram para os petistas
por ANDRÉA TAVARES
Apesar de ter convidado o ministro da Saúde e presidenciável do PSDB, José Serra, para uma aproximação com os futuros eleitores pernambucanos, o secretário de Desenvolvimento Urbano e maior força do PSDB no Estado, Sérgio Guerra, reconhece que o discurso do partido tem que melhorar muito. Depois de ouvir uma exposição de idéias improvisada pelo ministro, num jantar em sua casa, anteontem, Guerra foi ácido.
“Concentramos os esforços no fim da inflação e não nos preocupamos em desenvolver o País. Precisamos oferecer um discurso novo. Somos o partido do presidente Fernando Henrique, que assinou um erro brutal: o fim da Sudene. Assistimos a política de incentivo fiscal ser desfeita, os ministérios da Produção Rural e da Agricultura são absolutamente nulos, o Banco do Nordeste deixou de ser um agente importante e o BNDES não chegou aqui, seu endereço é em outro Estado. Se não bastasse, sugeriram a transposição do Rio São Francisco - um projeto absurdo, surrealista”, disparou.
O líder tucano também fez críticas aos aliados do PFL e PMDB: “O PFL não vai trazer algo novo, porque mesmo que deseje ninguém acreditará nele. O PMDB também não tem a menor chance. Somente nós do PSDB poderemos dar novo rumo ao País”, disse. Guerra afirmou que o PFL perdeu a credibilidade após se envolver em sucessivos escândalos, entre eles a renúncia do senador Antônio Carlos Magalhães - acusado de violar o painel de votação do Senado. Já o PMDB, na avaliação de Guerra, deve apresentar o governador Itamar Franco como candidato à Presidência, que considera um equívoco, por Itamar ser “intempestivo e de discurso radical.”
Para assegurar o crescimento do futuro candidato tucano, Guerra sugere uma observação detalhada da atuação do PT. “O PT não faz nada sério, mas chega aos eleitores com promessas que eles compreendem. A imagem que vendemos é a da estabilidade já construída. Precisamos mostrar a possilibidade de novos rumos. Temos que colocar no discurso uma projeção para o Nordeste daqui a quatro anos. É isso que o eleitor quer ouvir.”