Depois de propor, em junho, ação penal contra Tasso Jereissati por operações irregulares no Banco do Estado do Ceará, agora o Ministério Público ameaça denunciar o ex-governador e presidenciável do PPS, Ciro Gomes
FORTALEZA - O Ministério Público Federal pretende denunciar a gestão do presidenciável Ciro Gomes (PPS), no comando do Banco do Estado do Ceará (BEC). Após propor, em junho deste ano, ação penal contra a gestão do governador Tasso Jereissati (PSDB), também presidenciável, o procurador da República, José Gerim Mendes Cavalcante, recebeu do Banco Central uma lista com outras 19 empresas que teriam sido beneficiadas com operações irregulares do Banco do Estado do Ceará (BEC). De acordo com o procurador, algumas dessas operações teriam ocorrido entre 1991 e 1994, quando Ciro era governador do Ceará.
No dia 10 de julho deste ano, Gerim Cavalcante recebeu um documento assinado pela diretora do Banco Central, Tereza Grossi com novas denúncias. Cavalcante estuda a possibilidade de, ao invés de um adendo, propor uma segunda ação. Desta forma os dois processos poderiam correr em paralelo e com maior rapidez argumentou. O procurador adiantou o nome de apenas uma dessas 19 empresas que teriam sido beneficiadas com operações irregulares: a Yamacon Nordeste. De origem asiática, a empresa instalou-se no Ceará em maio de 1993. Foi uma das primeiras a ser atraída pela política de incentivos fiscais que estava começando no Nordeste. Em 1995, no primeiro ano do segundo Governo de Tasso, começaram a surgir na imprensa notícias sobre a falência da empresa.
Assim como Tasso, Ciro também não deverá ser processado criminalmente pelo MP. Isso porque, de acordo com o procurador, a responsabilidade deles seria apenas política e não jurídica. A ação, no entanto, pode se transformar em uma valiosa arma a ser utilizada pelos adversários do presidenciável do PPS na campanha do próximo ano.
Em relação à gestão Tasso, a Procuradoria pediu ao Judiciário que requisitasse à direção do BEC, administrado pelo Banco Central desde 1998, uma série de 36 processos de operações financeiras consideradas irregulares. Os empréstimos, segundo a denúncia, haviam beneficiado empreiteiras que doaram recursos para a campanha de Tasso em 1994, quando ele se elegeu para o segundo mandato e parentes de diretores do BEC.
O economista Pedro Brito Nascimento que presidiu o BEC durante o Governo Ciro Gomes (91-94), garante não haver nenhuma operação irregular durante a sua administração que, segundo afirma, teve uma diretoria 100% de profissionais bancários e foi lucrativa em todos os anos. Pedro Brito destacou que, na sua época, o banco do Ceará apresentou índice de inadimplência inferior, inclusive, ao do mercado privado. “Os bancos privados trabalham com um índice de 3% do ativo e o do BEC era abaixo disso”, argumentou.