A Babilônia Feira Hype, no Jockey Club do Rio, é o programa preferido de 20 mil cariocas durante os finais de semana em que o evento é realizado
por FABIANA MORAES
É impossível caminhar por qualquer ponto do Rio sem ouvir algum comentário sobre os famosos – ou os quase. Tem sempre alguém que acabou de ver Vera Fisher num shopping, Marcelo D2 (do Planet Hemp) num boteco da Lapa ou – se for muito sortudo – Reynaldo Gianecchini de sunga caminhando pelo calçadão de Ipanema. Na Babilônia Feira Hype não é diferente: circular pelas coloridas ruas, programa de em média 20 mil cariocas nos finais de semana em que a feira é montada, é outra oportunidade para unir a mera curiosidade televisivo-mundana ( “olha lá a Cristiana Oliveira!”) ao maravilhoso mundo das compras. Aliás, boas compras.
A Babilônia não poderia ser batizada com um nome mais feliz. A babel de roupas, acarajés, perfumes, luminárias, sushis, santos, cervejas e bijuterias reúne mais de 200 estandes no Jockey Clube Brasileiro, no bairro nobre do Jardim Botânico (pertinho da Globo, suspiram os fãs da revista Ti Ti Ti). Um dos grandes charmes da feira é que, durante a sua realização, as corridas de cavalos podem ser acompanhadas das arquibancadas onde estão instaladas algumas mesinhas, próprias para quem também quer degustar uma comidinha ou tomar uma cerveja.
Os saudosistas reclamam que, a exemplo do paulista Mercado Mundo Mix ou mesmo do recifense Mercado Pop, a Babilônia perdeu a sua aura inicial, mais moderna e alternativa. O fato não é uma inverdade: os estandes de roupas, por exemplo, não deixam nada a dever para as lojas em shoppings comuns ou galerias de esquina. Mas nem tudo está perdido: algumas lojas conseguem levar artigos realmente diferenciados. Os objetos de casa também salvam a pátria: vêem-se muitas novidades, a maioria muito criativa e, melhor, de qualidade.
Os nichos com santinhos de Reila Salazar, que custam entre R$ 4 até R$ 65, são verdadeiros achados para os adeptos da arte ‘kitsh-boteco’. Imagens como a da Imaculada Conceição, do Divino Espírito Santo e até Cosme e Damião podem ser vistas nos nichos, que são enfeitados com materiais como lantejoulas, contas, cetim, flores e glitter. Já os quadros de biscuit da Arte e Forma são, além de divertidos, perfeitos para decorar banheiros e quartos. Cenas cotidianas são ‘retratadas’ de maneira singular, como uma simpática mocinha tomando banho em sua banheira ou enxugando os cabelos. Preste atenção na riqueza de detalhes e nas cores. Muito bom. Já as malas e frasqueiras da Magic Company imitam aquele estilão antigo, de madeira (os produtos são de papelão resistente), repleto de adesivos de países ao redor do mundo. Os preços, atraentes, ficam a partir de R$ 25.
MARIA DE FÁTIMA – As crianças, que dificilmente entendem o mundo enlouquecido das mães durante as compras, podem se divertir no Mini Park Infantil e conferir as apresentações do grupo teatral Fazarte e os circenses do Cia. Vida. O pequeno palco ainda recebe as inevitáveis drags (não está na hora delas se reciclarem?) e dançarinas do ventre. Depois de bater perna, é hora de comer. Se estiver de regime, esqueça: a praça de alimentação da Babilônia guarda deliciosas surpresas, como o acarajé da Raí (R$ 3), servido em porções generosas, as esfihas da Kibe’sfiha e, se bater saudade da culinária local, existe um ponto especializado em delícias como arrumadinho e escondidinho de macaxeira (aqui, chamado de purê). Dica: depois de comprar a comida ( e cerveja para acompanhar), dirija-se-se até as mesinhas localizadas nas arquibancadas.
De lá, é possível acompanhar parte da corrida de cavalos, exercitar o ofício da paquera e ainda procurar os famosos da vez. A tarefa é divertidíssima, principalmente se você conseguir lembrar das novelas e seriados que os atores participaram. Por isso, não estranhe se você terminar o dia divagando sobre as maldades de Maria de Fátima (de Vale Tudo) ou o figurino de Nívea Maria (em A Moreninha) enquanto entorna mais um chope. É Babilônia pura, em pleno Rio de Janeiro.